sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Black Friday means black mood

Fazes de tudo para lhes agradares, para não as chateares. Nunca criticaste nenhumas das falhas delas, por muito que isso recaísse sobre ti, porque eras sempre tu quem ficava com a merda toda por limpar. Fizeste tudo o que era preciso, sozinha, e nunca foste capaz de cobrar nada a ninguém, só para evitar que se instalasse um mau ambiente em casa. O teu objetivo foi sempre seres pouco notada, que a tua presença lá em casa não causasse distúrbios, que não incomodasse. Para isso, anulaste algumas das tuas vontades e, muitas das vezes que podias ter ido passear, ficaste em casa a fazer coisas que elas não faziam. "E para quê?" perguntas. De que serviram todos os teus esforços se, no fim, conseguiram arranjar algo por onde te criticar e instalou-se o tal mau ambiente que andavas a evitar? 
Acorda, miúda! As pessoas são ingratas e vão sê-lo sempre. Não vale a pena lamentares o que aconteceu, nem sequer vale a pena ficares a sentir-te culpada, pois sabes perfeitamente que elas não têm razões nenhumas para te apontar o dedo. Relaxa, miúda! Afinal de contas, está quase a acabar o semestre.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A carta que nunca lhe escreveste

A ti, que a podes ter nos braços todos os dias:
Espero que saibas a sorte que tens e que nunca a deixes escapar-te por entre os dedos, como eu fiz. Foi a melhor coisa que tive na vida e perdi-a, por causa do meu egoísmo e da minha falta de vontade de estar comprometido com alguém. Ela foi a namorada que qualquer rapaz desejava ter e, mesmo assim, eu deixei-a ir embora. Aliás, fui eu que decidi ir embora da vida dela e ela fechou-me a porta, para que nunca mais voltasse a entrar. E tinha os seus motivos. Magoei-a. Ela não merecia que o tivesse feito. Só espero que nunca a magoes como eu fiz, que a trates sempre bem e que nunca te canses dela, como eu me cansei. 
Ela tem um feitio complicado, é verdade, e acorda sempre de mau humor, é um facto, mas é uma fera fácil de acalmar. E tem de fazer, no mínimo, dez minutos de ronha quando acorda, seja de manhãzinha ou na sesta da tarde. Ela vai ter razão na maior parte das coisas que diz e tu vais ter de te habituar que ela é uma gramática humana e nunca se vai cansar de te corrigir, ela é assim e não vai mudar, por muito que reclames. Naquela altura do mês, ela só vai precisar de mimos. Ah, e de muitos doces e chocolates, é claro! Não vais precisar de grandes gestos para lhe dares provas do teu amor por ela. Para ela, o que conta são as pequenas coisas. Os detalhes do dia a dia. Queres um conselho? Dá-lhe sempre atenção. Ela odeia sentir-se ignorada e, mesmo que não diga, fica magoada. Ela vai sempre preocupar-se contigo e fazer tudo por ti. Nunca te rias dos esforços dela. Lembra-te que ela faz tudo isso sem nunca pedir nada em troca. Não te esqueças que ela adora ler e que precisa de tempo para o fazer. Deixa-a passar horas dentro de uma livraria, mesmo que saia de lá de mãos a abanar, porque não tem dinheiro para levar o livro que quer ou por não conseguir decidir qual levar. Quando forem na rua, não suspires de cada vez que ela parar para ver a montra de uma qualquer livraria, é mais forte do que ela.
Acima de tudo, faz com que se sinta valorizada e amada. Não te canses dos beijos dela, não pares de a mimar. Mesmo naqueles dias em que a paciência começa a esgotar e já achas que ela está a complicar demasiado, porque é nesses dias que ela mais precisa dos mimos, do amor. Do teu amor. Ela não vai querer o amor de mais ninguém, porque nenhum amor é igual ao teu. E ela vai achar-te o melhor, mesmo com os teus defeitos e manias. Vais ser a pessoa mais importante que tem na vida e aquele com quem gosta de partilhar tudo. Por favor, não a partas como eu parti, não a abandones como eu abandonei, não a faças infeliz como eu fiz. Por favor, sê tudo aquilo que eu não fui capaz de ser, porque ela vale a pena.


Cuida-a. Por favor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Amo-te, vô.

Estou cansada do dia 14 de outubro. Não deste 14 de outubro em concreto, mas sim de qualquer 14 de outubro, sobretudo desde há sete anos atrás e até mesmo de todos os que estão por vir. Se pudesse, mandava abolir este dia do calendário. Só te escrevo neste dia, só choro neste dia, só permito que o resto do mundo veja a falta que me fazes neste dia. Só exteriorizo a minha dor neste dia, mas lembro-me sempre de ti, avô. Sempre, acredita que sim. Só não posso deixar que a tua ausência me afecte desta maneira todos os dias. 
Se ainda aqui estivesses, estarias cheio de orgulho pela minha entrada na faculdade, tenho a certeza disso. Talvez tivesse ido viver contigo. Se ainda aqui estivesses, continuarias a ser o picuinhas e chato do costume. Oh, avô, gostávamos tanto das tuas picuinhices e dos teus telefonemas diários... Fazes falta por cá! Ficou tanta coisa por fazer e por dizer. Merecias ter tido mais tempo, para espalhar essa tua teimosia, essa tua preocupação e essa tua dedicação. Merecíamos ter tido mais dias juntos. Como qualquer outra morte, a tua foi injusta. Injusta de tantas maneiras e para tantas pessoas. O tempo passa e, sete anos depois, continuo a sentir a tua falta como no primeiro dia. Acho que isso não vai melhorar. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Problemas de viver sozinha

O grande ponto negativo da minha vinda para a capital é o facto de viver sozinha, mas acompanhada. Passo a explicar: saí de casa dos meus pais, logo passei a viver sozinha; mas vivo acompanhada porque tenho as minhas colegas de casa. Podia ser giro, podia ser uma grande experiência, mas a verdade é que não está a ser. 
Foi fácil organizar-me e conjugar o estudo com as tarefas domésticas, de maneira a conseguir arranjar também algum tempo para passear, para estar com os que amo, para mim. O problema é que esta convivência caseira com outras pessoas nem sempre é a mais fácil, os espaços comuns não são respeitados por todas da mesma maneira e, por esse motivo, a limpeza não é o ponto forte desta casa, o que me deixa bastante desconfortável. Logo eu, que não sou capaz de viver no meio de sujidade ou desarrumação e todos os dias me tenho visto obrigada a lidar com cabelos nos ralos, restos de comida no fogão, loiça suja esquecida no lava-loiça, sacos de lixo deixados na cozinha e outras situações semelhantes. De vez em quando, lá se dá o toque ao pessoal e é feita alguma limpeza, mas sem os devidos cuidados, em menos de nada voltamos ao início.
Por outro lado, falta-me companhia. Apesar das minhas colegas de casa, tenho-me sentido sozinha. Sinto a falta de alguém em quem confie e com quem me sinta suficientemente à vontade para falar sobre o meu dia, para desabafar ou simplesmente para me fazer companhia às horas das refeições. A minha escapatória são os fins de semana, quando arranjo tempo para estar com amigos ou com a família, mas há alturas em que me custa estar sozinha, sobretudo quando estou adoentada. Tudo isto é coisa que não faço com elas. Falamos, é certo, mas não se pode dizer que sejamos as maiores amigas do mundo. No fundo, acho que não é a companhia delas que preciso e não é com elas com quem quero dividir o meu dia a dia.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Obrigada, mas não voltes.

Às vezes pergunto-me se sentes a minha falta, se a minha ausência na tua vida faz alguma diferença. Questiono-me se todas as horas gastas à conversa contigo terão valido mesmo a pena ou se terei andado a perder o meu tempo, tempo que poderia ter sido aproveitado com outras pessoas. Eu não tenho saudades tuas, não tenho mesmo. Estás bem onde estás, longe de mim. Não te quero de volta nem nada que se pareça, mas a verdade é que há alturas em que me sinto invadida por uma certa curiosidade sobre ti e o que fizeste com a tua vida depois de mim. Não é nenhum tipo de preocupação contigo, é apenas uma curiosidade egoísta sobre o que ficou após a minha passagem.
Quando decidiste soltar de vez a minha mão, senti um alívio enorme a apoderar-se de mim. Foste embora sem dizer nada, sem dramas, sem despedidas, e eu acho que foi melhor assim. Cada um de nós seguiu com a sua vida para frente e eu estou tão feliz ao lado de uma pessoa que me ama. E tu? Também foste capaz de encontrar a felicidade ao lado de outro alguém? O amor que dizias sentir por mim nunca foi muito credível, nunca foi mais do que palavras, nunca passou de promessas sempre quebradas. É que tu, apesar do amor todo que te dei, nunca foste capaz de te entregar, mantiveste a distância, continuaste de pé atrás. Podíamos ter sido uma grande história de amor, porém não passámos de uma tentativa falhada. Terei sido só eu ou és assim com todos os que te querem bem?
No entanto, eu quero acreditar que todas as coisas que nos acontecem na vida, acontecem em prol de um bem maior. Tanto as coisas boas como as coisas más. Nada acontece por acaso ou sem um porquê, tudo tem a sua razão de ser. Tu... Tu foste uma lição sobre o que é ser-se mal amada. Foi graças a ti que compreendi que não tenho de me contentar com um meio relacionamento, que mereço carinho e respeito, que não sou obrigada a conformar-me com migalhas de amor. Contigo aprendi que não se mendiga carinho nem atenção. Do fundo do coração, estou-te muito agradecida por me fazeres perceber aquilo que mereço enquanto mulher que sou. Mas acima de tudo, estou-te agradecida por não teres ficado do meu lado, porque só assim foi possível conhecer o homem que me faz feliz. A ti, um obrigada por teres sido um cretino. Não voltes.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Posso ir, mas ficar?

Tenho andado a adiar o que é inadiável. A minha ida para Lisboa já tem data marcada, mas eu continuo a comportar-me como se isso só fosse acontecer daqui a meses. Na verdade, faltam dias apenas. Porém, aquilo que desejei durante toda a minha vida vai finalmente acontecer e não está a ser a festa que eu achei que ia ser. Por mim, os resultados das colocações podem demorar imenso tempo a sair, as malas podem ficar por fazer, as coisas podem ficar por arrumar e as despedidas podem ficar por acontecer. Eu quero ir, é óbvio que quero, mas também quero ficar. Tenho decisões para tomar e tantas coisas para organizar, mas só me apetece ficar deitada no sofá a ler, ou a ver séries com o meu pai, ou a passear pelas redes sociais. Na verdade, sinto-me cansada das conversas sobre a faculdade e das listas de coisas para levar. Sinto que mereço uma pausa.
Se há dias em que eu precisava de ter todas as certezas do mundo, hoje era um deles. As despedidas assustam-me particularmente, razão pela qual as vou evitar ao máximo. Nunca gostei de despedidas, na verdade, odeio-as de morte. Sempre fui uma pessoa muito mais dada aos reencontros. Ainda assim, há sempre alguém de quem vou ter de me despedir e, apesar de continuarem a dizer-me o típico clichê «não é um "adeus", é um "até já"» que não melhora as coisas, vai custar-me horrores fazê-lo. É que, apesar de estar "só" a três horas de casa, Lisboa não é já ali ao virar da esquina. Vão ser mais de duas centenas e meia de quilómetros que me vão separar daqueles que mais amo e me vão impossibilitar se correr para os seus braços todas as vezes que me sentir insegura. Graças à evolução das tecnologias, hoje em dia o longe se faz perto e o skype facilita imenso as coisas, mas há dias em que isso não chega, há dias em que já não fintamos as saudades com tanta facilidade, há dias em que ver alguém numa tela de computador e ouvir a sua voz não é suficiente, há dias em que precisamos do toque, do cheiro. E isso as tecnologias não nos dão. Está na hora de me preparar para voar e partir à descoberta, sabendo de antemão que muitos dias difíceis se avizinham. E eu não sei se estou preparada para esses dias. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

It's the 20's.

Dizem que com 20 anos já tenho idade suficiente para ganhar juízo. Porém, a mim parece-me que, com os anos, todos vamos perdendo o juízo. Passei o dia a receber mensagens e telefonemas de familiares que fizeram questão de me recordar quão crescida estou e as responsabilidades que isso acarreta. É sempre assim. 
No entanto, posso gabar-me de ter tido um dos melhores aniversários de sempre. Entrei nos vinte, à meia-noite, rodeada de amigos que me fizeram sentir a pessoa mais feliz do mundo, encheram-me de mimos. Dançámos muito, rimos muito. E a noite estava linda. Não havia vento, o céu estava estrelado e até estava algum calor. Do mesmo já não me posso gabar em relação ao clima do dia, que apesar de quente esteve nublado. Mas nem o tempo murcho abalou a alegria que me fizeram sentir. Tal como na noite anterior, encheram-me de mimos, que se prolongaram pelo dia fora. Prendas, muitas das quais eu própria ajudei a escolher, dada a minha aversão a surpresas, e outras completamente inesperadas. Como foi o caso da do C, que foi uma surpresa total que adorei! Conhece-me como ninguém e consegue sempre deixar-me sem palavras, é mesmo a maior sorte da minha vida. 
O meu bolo era lindo e estava mesmo bom. Sorri imenso e recebi mensagens lindas ao longo do dia que deixaram a sua marca, sobretudo as daquelas pessoas que tenho longe de mim. Hoje estou duplamente de parabéns: pelos meus vinte aninhos e pelo primeiro aniversário do meu blogue. Acabo o meu dia com muitas prendinhas novas, carregada de mimos e com o coração a transbordar. Que venham daí os 21!




terça-feira, 11 de agosto de 2015

Está na hora de me preparar para voar.

De agosto já vamos em onze dias e sinto que o verão não tem passado a correr, mas sim a voar. Daqui a dez dias estarei um ano mais velha e parece que foi ontem que fiz os dezasseis. Já passaram quatro anos desde então. Tenho sempre aquela sensação de que as horas demoram a passar no dia a dia, mas quando dou por isso já passaram semanas, meses e anos. E eu mudei, mudei tanto desde os meus dezasseis. Cresci imenso, estou muito mais responsável e aprendi a pôr o orgulho de lado. Faz parte. Em setembro saio de casa rumo à universidade, vou viver sozinha numa cidade enorme. Dizem que vai ser nessa altura que eu vou crescer a sério e eu acredito que sim. Vai ser complicado e vou sentir tantas saudades de casa: dos mimos da mãe, do mau feitio do pai e das discussões com a mana. Porém, a verdade é que algum dia teria de sair de casa, não é? Não posso viver para sempre debaixo das saias da mãe. Podia ser pior, se fosse para outro país ou para outro continente. Por agora só vou para outra cidade e em três horas de viagem estou em casa de novo. Não é assim tão mau. Além disso, lá vou estar mais perto da b, a minha ida também tem coisas boas. Quando as saudades apertarem, finto-as com um telefonema ou uma mensagem. Alguma coisa se há-de arranjar. E quando der por mim, é verão outra vez e estou de volta ao colinho dos papás. 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Um capítulo que se fecha.

Hoje saíram as notas dos exames nacionais. Finalmente! Levantei-me cedinho e fui até à escola, com o meu pai, ver as pautas. Quando lá cheguei, encontrei a minha R que me disse logo que eu tinha tido uma grande nota a Português. E a verdade é que tive mesmo. Seis valores acima daquilo que esperava! No exame de História A a nota foi exactamente aquilo que eu tinha previsto. Embora saiba que merecia melhor e que sou capaz de ter, pelo menos, mais dois valores, o cansaço que se fazia sentir na época de exames não me deixou concentrar-me mais e conseguir melhor. Acontece! Não me vou inscrever na segunda fase dos exames, acho que as minhas notas são ótimas e vou, quase de certeza, conseguir entrar na minha primeira opção. Se bem que sinto um certo receio e se fosse à segunda fase era mais por descargo de consciência, mas a verdade é que preciso de descansar e, por isso mesmo, declaro-me definitivamente de férias.
Na quinta-feira tenho de ir à escola buscar a minha ficha ENES e aproveito para me despedir de professores e funcionários, e até mesmo da escola. Foram três anos cheios e de muito esforço que, no fim, deram o melhor dos resultados. Agora é hora de me candidatar à Universidade e esperar ansiosamente o resto do verão pelos resultados. Se tudo correr bem, em setembro estarei definitivamente a caminho de Lisboa, para a Faculdade que sempre quis e o único curso no qual me vejo realmente. Estou feliz, estou mesmo, mas ao mesmo tempo muito ansiosa. Hoje fecha-se o capítulo do secundário, mas ficam as recordações de tudo, das coisas menos boas, das boas e das melhores. Ficam também as amizades que vou levar comigo para o resto da vida, como a R e o P. Repito que estou feliz e ansiosa e muito nostálgica. Era mentira quando disse que ia ser fácil dizer adeus à Teixeira e ao secundário. Era mentira quando achei que não ia sentir falta de coisa alguma, porque ainda não fui e já sinto saudades.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Congelem o relógio, preciso de mais tempo.

Com o final do ano lectivo a aproximar-se a uma velocidade vertiginosa, surgem as dúvidas e os medos. Como vai ser daqui para a frente? Nada me garante que as coisas fiquem mais fáceis. Vão, com toda a certeza, existir obstáculos. Existem sempre. De outra forma, que piada é que a vida teria? Tudo o que é demasiado fácil, torna-se aborrecido. No entanto, saber que os obstáculos vão lá estar, não os torna menos assustadores. A pergunta repete-se, "como vai ser daqui para a frente?", e o pior é mesmo não ter resposta para a mesma. 
Aprendi a não fazer planos para o futuro, pelo menos não para um futuro a longo prazo. Viver o presente mostrou ser uma melhor maneira de viver, porque o fazemos de uma forma mais intensa. Mas (existe sempre um, não é?), às vezes, ter uma previsão daquilo que pretendemos ter e fazer daqui a alguns meses também é bom. Dá-nos um conforto extra quando é altura de partir rumo ao desconhecido e eu sinto-me a precisar desse tipo de conforto. O saber que tenho média suficiente para entrar na universidade que sempre quis, por si só, não me conforta. Eu preciso de saber mais, de planear mais. Em setembro, vou ter os meus amigos em Lisboa comigo? E ele? Será que as sete dezenas de quilómetros que nos separam se vão transformar em mais de duas centenas e meia? Na verdade, os meus medos não são por falta de planos futuros, mas sim por não saber quem se vai aventurar comigo nesta nova etapa.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Uma crónica digna de se ler.

Como escrever uma carta de amor


«Coragem! Atire-se sem medo.
Antes de começar, tem licença para se sentir uma heroína: nos gélidos tempos que correm, alguém ser capaz de expor os seus sentimentos em papel merece uma estátua épica na praça. Depois pense no que vai dizer: lembre-se que uma carta de amor é a mais lida de todas as cartas, guardada até à morte e tratada como uma relíquia. Mas não pense tanto que se arrependa de a mandar. Ao contrário de tempos antigos, não tem de haver um oceano entre vocês para escrever uma carta. Ele até pode dormir ao seu lado há dez anos. O importante é declarar - ou redeclarar - o seu amor.
Em papel, please! Uma carta de amor é para se guardar.
Pois é: uma carta de amor ainda é... uma carta. Esqueça os mails, os sms, os pombos correios e os sinais de fumo. Uma carta tem de ser feita para ser lida, relida, guardada na carteira, chorada em cima, desdobrada e guardada junto ao coração. Como é que vai guardar um sms junto ao coração?
O melhor também é escrever à mão, a não ser que tenha uma caligrafia mais indecifrável que a Pedra Rosetta e corra o risco de ele parar em cada palavra a meditar "ora bem, 'meu querido João' eu chego lá, 'desde que te vi, tens sido a luz...? pus? cruz? da minha quê? vida? lida? sida não deve ser com certeza..." Ah, e não se esqueça da data e do local. Repetimos: esta é uma carta que vai ser guardada (esperamos nós, não é...). Pela mesma razão, use o nome próprio da pessoa. Se começar com 'meu querido amorzinho fofinho e giro', como é que daqui as uns tempos os seus netos vão acreditar que é o avô?
Não assuste. Pense bem antes de enviar a carta.
Antes de começar, pense no que é que vai dizer e a quem. Se a pessoa a quem vai mandar já sabe que o ama desde que Afonso Henriques conquistou Lisboa, está à vontade. Se vai ser mesmo uma surpresa (ah grande mulher!), precisa de se certificar primeiro de que a pessoa está, enfim, recetiva aos seus sentimentos, para não se arriscar a uma tampa inútil. Se não tem a certeza, se calhar é melhor investigar o terreno antes de começar com 'Pedro Manuel, serve esta carta para te comunicar que pretendo casar-me contigo quer tu queiras quer não, vestida de princesa no Alto do Bom Jesus de Braga e ter pelo menos sete filhos todos com o teu nariz e o meu queixo'.
Cuidado com a lemechice. Xarope, só para a tosse: seja original!
Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas. Por isso é que nunca conseguiu casar-se com a Ofélia. Esqueça o Fernando Pessoa: sabia muito de poesia mas nunca escreveu uma carta de amor que se apresentasse. Ao contrário do que ele diz, é possível escrever uma carta de amor original. Esqueça as xaropadas. Esqueça as frases feitas. E, atenção, acima de tudo, NÃO ESCREVA POEMAS! Ninguém disse que não se pode ser sincera e ao mesmo tempo original. Afinal, o vosso amor é único. Não escreva uma carta cheia de lugares-comuns. Afinal, abrir o coração não implica fechar o cérebro. Não é preciso ser o Saramago. Só é preciso pensar um bocadinho.
Estilo: fuja da formalidade. Ternura, sinceridade e sentido de humor.
Cuidado com o tom: mesmo que esteja farta de lhe manda indiretas e ele não dê por nada, é melhor não começar com : 'Zé Tó, sempre estive certa de que eras o homem da minha vida, sabe Deus porquê, porque não tens nada que se te recomende, e francamente acho muito estranho que ainda não tenhas dado por nada, mesmo sendo o maior totó à face da Terra'. Cuidado com as metáforas: lembre-se do que aconteceu ao príncipe Carlos de Inglaterra quando disse que queria ser o tampão da Camila (e a verdade é que com metade do mundo e rir e a outra metade a vomitar, funcionou). Na dúvida, o estilo mais simples é o melhor. Não seja formal: seja terna e sincera. Imagine que é você que está a receber aquela carta. Como é que se sentiria? Teria vontade de a guardar? Um bom esquema básico é o seguinte: primeiro explique porque é que está a escrever aquela carta. Atenção: nunca se diminua a si própria com frases como 'provavelmente não sentes o mesmo que eu' ou 'sei que ainda estás embeiçado pela idiota da Mafalda que não te conhece e nem sequer gosta dos Muse'. Não assuma nada da parte dele. Pode dizer variadas coisas: como a sua vida mudou desde que o conheceu, como tem saudades dele quando não o vê, o que é que o torna único e o que sente quando está com ele, ou pode não dizer nada disto. Seja específica: dizer 'adorei quando me levaste a ver o pôr do sol na praia' e muito melhor do que 'és o homem mais romântico que conheço'.
Atenção ao fim e ao principio: é aquilo que mais se recorda. E antes de a enviar releia tudo atentamente: atenção aos erros! Não há nada com maior potencial para destruir um ambiente romântico do que um erro!
E resultados? Aceite o que vier e seja feliz.
E se levar uma tampa? Se ele lhe ligar a dizer que de facto quem ele ama é a idiota da Mafalda. Não importa: acontece aos melhores.»




Por: Catarina Fonseca

terça-feira, 31 de março de 2015

Falsa felicidade a dois.

Agora faz sentido, faz todo o sentido. Tu não gostaste de mim. Tu gostaste de tudo o que de bom existia em mim, sobretudo de tudo aquilo que te alimentava o ego magoado por uma paixão de vida frustrada. E eu, parva que era, achei que me amavas. Tu não tiveste ciúmes por teres medo de me perder, mas sim por saberes que havia por aí um alguém que poderia gostar de mim de verdade e, nessa altura, eu entenderia que o melhor para mim não eras tu e tu ficarias sozinho. E eu, parva que era, achei que era o teu medo de ficar sem mim a falar mais alto, mas tu só temias não ter mais ninguém para além de ti mesmo. Tu não me deixaste por achares que era o melhor para mim. Deixaste-me porque eu nunca fui mais do que um passatempo para ti, porque enquanto brincavas aos namorados comigo não te lembravas que não estavas a lutar pelo teu maior sonho de vida, porque enquanto estivesses comigo não te vinham à memória todos aqueles a quem viraste as costas. "Desculpa se confundi as coisas desde o início", disseste. E eu, parva que era, achei que estavas apenas numa fase complicada e confusa da tua vida. Mas a verdade é que ninguém confunde amizade com amor durante meses. E eu, parva que era, gostei mais de ti, do que me amei a mim mesma. Dei mais importância aos teus sonhos, aos teus quereres, do que aquilo que me fazia feliz e me realizava. Alimentei o teu ego e esqueci-me que o meu também tinha fome. Protegi o teu orgulho e, para tal, usei o meu como escudo. E eu, parva que era, achei que o verdadeiro amor era assim. Porém, amor envolve sempre duas pessoas e existe um constante dar e receber. Eu dava, dava tudo, e em troca recebi nada, um grande monte de nada. Eu gostei tanto de ti, pena que não tenha sido da maneira certa. A tua vontade era soberana e eu acatava qualquer decisão tua. Se tu estavas feliz, então tudo bem. E eu, parva que fui, achei que era feliz assim.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Deixa-me ter um momento de cansaço.

O cansaço apoderou-se dela. Não é aquele tipo de cansaço que se sente depois de uma corrida de dez quilómetros, nem depois de um dia de aulas, nem depois de um acampamento. Não. É outro tipo de cansaço. Um cansaço que não a deixa dormir à noite, quando encosta a cabeça na almofada e tem um jorrilho de sonhos e pesadelos, que a fazem acordar mais exausta do que quando se deitou. Um cansaço que a faz perder horas, no sofá, apoderada pela inércia, a fazer zapping e a ver episódios repetidos das suas séries preferidas. Um cansaço que não a deixa sair à rua, ir à praia, apanhar ar e sentir o sol a queimar-lhe a cara, porque este cansaço consome-a, deixa-a sem vontade de se mexer para o que quer que seja. Um cansaço que a deixa irritadiça com qualquer coisa, ou com qualquer pessoa, fazendo-a gritar e barafustar e, quando a tempestade passa e a bonança chega, a faz sentir-se a pior pessoa do mundo. Este cansaço é diferente de todo o cansaço que já sentiu anteriormente. É um tipo de cansaço novo para ela, um tipo de cansaço que ela não consegue dominar, que ela não consegue entender. Nem ela, nem ninguém à volta dela. Essa é a pior parte.



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Eu conheço uma guerreira.

Ela não usa armadura, nem espada, nem escudo, nem arco e flecha, nem qualquer outra arma. Ela não luta contra monstros das trevas, em cima de um soberbo cavalo preto. Ela não mata quatro adversários de um só golpe, ela não é imortal. À primeira vista, parece um ser humano como outro qualquer, mas ela é melhor que isso: é uma guerreira.
Todas as manhãs se levanta, de sorriso na cara e forças para enfrentar um novo dia. Como se a vida não lhe doesse, como se não lhe tivesse trazido mágoas e desilusões suficientes. Ela continua a sair da cama todas as manhãs, continua a lutar pelos seus sonhos, continua a tocar o coração das outras pessoas, continua. A vida dela continuou. Conseguiu vencer a maior batalha da sua vida: a perda da pessoa mais importante para ela. Ela está há exactos 730 dias sem a mãe. Essa perda não pode ser remendada. Ninguém irá, jamais, ocupar aquele lugar, dar-lhe aquele amor, aquele mimo, aquele colo. É insubstituível. Ainda assim, ela não desistiu, não baixou os braços. Eu conheço uma guerreira e tenho a sorte de lhe poder chamar "melhor amiga". Se algum dia as forças dela não forem suficientes, eu dou-lhe as minhas, só para a poder ver sorrir novamente.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Das coisas que não entendo na sociedade

Não entendo aquelas pessoas que, quando acabam o namoro, se lançam numa luta, cegas de raiva, para fazer a outra pessoa sofrer. Não entendo. A meu ver, existem duas opções quando um namoro acaba: ou ficamos amigos, ou vai cada um para seu lado. Se escolhermos a primeira opção, temos de ter a maturidade e a capacidade necessárias para assumir que as coisas não funcionaram, mas que a amizade não morreu. Lógico que essa amizade não volta ao que era dois dias após o rompimento, mas é tudo uma questão de timing. No entanto, escolher a segunda opção é optar por seguir com a nossa vida sem que o outro interfira nela e, agora é que vem a questão que muitos não entendem (ou fingem não entender!), isso também implica que nós não interfiramos na vida da outra pessoa. O problema é que isso nem sempre acontece.
Existe aquela história do "se não és meu/minha, também não és de mais ninguém!". Não, amigos, as coisas não funcionam assim. Lá porque namoraste com X, não significa que sejas dono de X. E X tem o direito de se apaixonar por Y e ser feliz e tu só tens de ficar no teu canto e não armar confusão! As duas opções já foram dadas. Não é justo, nem sequer racional, que no fim do namoro existam guerras ridículas entre ambos. Tentar denegrir a imagem do nosso ex-parceiro mostrando ao mundo o mal que nos fez, vitimizar-nos, acusá-lo de ser isto ou aquilo não nos leva a lado nenhum. Aceitem que acabou, porra! Cada um segue com a sua vida e nenhum interfere na do outro. Assim, simples. Sem espinhas! Mais que não seja, por respeito a tudo aquilo que viveram enquanto estiveram juntos.
Guardo boas memórias das minhas relações anteriores. Das poucas que tive, aliás. A maneira como acabaram nem sempre foi a  melhor ou a mais correta, mas isso não apaga todos os momentos bons que a pessoa em questão me proporcionou. Podemos até nem ter ficado amigos, por qualquer que seja o motivo, mas se fomos felizes enquanto estivemos juntos, então não posso afirmar que tenha sido um erro. Faz parte do crescer, ter uma paixoneta agora e depois, ter um ou dois namoros que não resultaram. É normal. Acontece, faz parte e não são erros. Há que evoluir, não sermos mentes fechadas e seguir com a nossa vida. O que vier, virá. As coisas acontecem porque é assim que tem de ser. Se ainda não foi desta que resultou, tenham calma, a pessoa certa está aí a chegar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Escritora de tempos livres

Escreves. E apagas. Reescreves. E voltas a apagar. Outra vez. Não, está mal. Não é assim que deve ficar. Nem sequer é sobre esse assunto que queres falar! Apagas. Recomeças. Hoje está complicado conseguir escrever alguma coisa que sintas que vale a pena ser partilhada. Apetece-te rasgar todos os cadernos, partir todas as canetas e mandar o computador contra a parede. Sabes que isso não te levará a lado nenhum, que vais continuar sem te sentir capacitada para formar palavras e ordená-las de modo a elaborar frases que tenham algum sentido, ainda que pouco aos olhos de alguns, mas ainda assim apetece-te. No final, restarão apenas pedaços de papel espalhados por todo lado, o chão sujo da tinta das canetas rebentadas e o computador estilhaçado em cima da cama. Quem sabe se isso não te fará sentir melhor? Ainda assim, não arriscas. Apagas e reescreves. Repetes todo o processo. Voltas a ter vontade de rasgar, partir e mandar, mas respiras fundo e acalmas-te. Pegas novamente na entrada em branco e decides finalmente partilhar algo com os outros, ainda que pareça insignificante, é algo. Não está mau, mas podia estar melhor. Pode sempre estar melhor. É impressionante como nunca te contentas com aquilo que escreves até que alguém leia e te alimente o ego. Raios te partam! A ti e ao teu ego! Só porque juntas palavras, que formam frases e dão origem a textos, já te achas escritora. Escritora de tempos livres, é isso que és. Quando te lembras, quando te vem em gana, pegas no computador ou no caderno e escreves, como se o Mundo acabasse amanhã e tivesses de registar todos os teus pensamentos, para uma posterioridade que não existirá porque o Mundo já terá chegado ao fim, e no final ainda te dás ao luxo de não gostares do que escreveste e guardares só para ti. Pensas "porra, será que todos os que escrevem se sentem assim?", mas nunca te dás ao trabalho de ir à procura de alguém que escreva para o questionares sobre semelhante assunto. E assim te deixas ficar, entre folhas de cadernos e entradas em branco no blogue, nos tempos livres. Ah, quem te dera a ti ser escritora a sério. Mas não és. Ocupas-te, de vez em quando, nos teus tempos livres. Mas é só isso.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ninguém pode sonhar por mim.


A noite de 31 de Dezembro é feita de excessos: excesso de comida, excesso de bebida, excesso de loucuras e, acima de tudo, excesso de expectativas para o novo ano. Espera-se que seja um ano onde só haja sorrisos e alegria, bons momentos, sonhos cumpridos e metas alcançadas. Mas é bom recordar que um bom ano não tem, necessariamente, de ter apenas coisas boas e momentos felizes, as lágrimas também fazem parte. É com os erros que aprendemos, é com as quedas que crescemos, são os obstáculos que nos fazem mais fortes.
De 2015 não espero surpresas, este ano quem faz as surpresas sou eu. Não são os desejos pedidos à meia-noite de dia 31 que vão ditar as coisas boas de 2015, se eu quero que seja um bom ano, tenho de ser eu a fazer por isso. Vou aprender, crescer, chorar, tornar-me mais forte, sorrir, cair e tantos outros milhares de coisas. No final do ano, apenas quero sentir-me de coração cheio como me senti a noite passada. 2014 foi um bom ano e não espero menos de 2015. 

Feliz ano novo!