Ela não usa armadura, nem espada, nem escudo, nem arco e flecha, nem qualquer outra arma. Ela não luta contra monstros das trevas, em cima de um soberbo cavalo preto. Ela não mata quatro adversários de um só golpe, ela não é imortal. À primeira vista, parece um ser humano como outro qualquer, mas ela é melhor que isso: é uma guerreira.
Todas as manhãs se levanta, de sorriso na cara e forças para enfrentar um novo dia. Como se a vida não lhe doesse, como se não lhe tivesse trazido mágoas e desilusões suficientes. Ela continua a sair da cama todas as manhãs, continua a lutar pelos seus sonhos, continua a tocar o coração das outras pessoas, continua. A vida dela continuou. Conseguiu vencer a maior batalha da sua vida: a perda da pessoa mais importante para ela. Ela está há exactos 730 dias sem a mãe. Essa perda não pode ser remendada. Ninguém irá, jamais, ocupar aquele lugar, dar-lhe aquele amor, aquele mimo, aquele colo. É insubstituível. Ainda assim, ela não desistiu, não baixou os braços. Eu conheço uma guerreira e tenho a sorte de lhe poder chamar "melhor amiga". Se algum dia as forças dela não forem suficientes, eu dou-lhe as minhas, só para a poder ver sorrir novamente.
