sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Posso ir, mas ficar?

Tenho andado a adiar o que é inadiável. A minha ida para Lisboa já tem data marcada, mas eu continuo a comportar-me como se isso só fosse acontecer daqui a meses. Na verdade, faltam dias apenas. Porém, aquilo que desejei durante toda a minha vida vai finalmente acontecer e não está a ser a festa que eu achei que ia ser. Por mim, os resultados das colocações podem demorar imenso tempo a sair, as malas podem ficar por fazer, as coisas podem ficar por arrumar e as despedidas podem ficar por acontecer. Eu quero ir, é óbvio que quero, mas também quero ficar. Tenho decisões para tomar e tantas coisas para organizar, mas só me apetece ficar deitada no sofá a ler, ou a ver séries com o meu pai, ou a passear pelas redes sociais. Na verdade, sinto-me cansada das conversas sobre a faculdade e das listas de coisas para levar. Sinto que mereço uma pausa.
Se há dias em que eu precisava de ter todas as certezas do mundo, hoje era um deles. As despedidas assustam-me particularmente, razão pela qual as vou evitar ao máximo. Nunca gostei de despedidas, na verdade, odeio-as de morte. Sempre fui uma pessoa muito mais dada aos reencontros. Ainda assim, há sempre alguém de quem vou ter de me despedir e, apesar de continuarem a dizer-me o típico clichê «não é um "adeus", é um "até já"» que não melhora as coisas, vai custar-me horrores fazê-lo. É que, apesar de estar "só" a três horas de casa, Lisboa não é já ali ao virar da esquina. Vão ser mais de duas centenas e meia de quilómetros que me vão separar daqueles que mais amo e me vão impossibilitar se correr para os seus braços todas as vezes que me sentir insegura. Graças à evolução das tecnologias, hoje em dia o longe se faz perto e o skype facilita imenso as coisas, mas há dias em que isso não chega, há dias em que já não fintamos as saudades com tanta facilidade, há dias em que ver alguém numa tela de computador e ouvir a sua voz não é suficiente, há dias em que precisamos do toque, do cheiro. E isso as tecnologias não nos dão. Está na hora de me preparar para voar e partir à descoberta, sabendo de antemão que muitos dias difíceis se avizinham. E eu não sei se estou preparada para esses dias. 

Sem comentários:

Enviar um comentário