Escreves. E apagas. Reescreves. E voltas a apagar. Outra vez. Não, está mal. Não é assim que deve ficar. Nem sequer é sobre esse assunto que queres falar! Apagas. Recomeças. Hoje está complicado conseguir escrever alguma coisa que sintas que vale a pena ser partilhada. Apetece-te rasgar todos os cadernos, partir todas as canetas e mandar o computador contra a parede. Sabes que isso não te levará a lado nenhum, que vais continuar sem te sentir capacitada para formar palavras e ordená-las de modo a elaborar frases que tenham algum sentido, ainda que pouco aos olhos de alguns, mas ainda assim apetece-te. No final, restarão apenas pedaços de papel espalhados por todo lado, o chão sujo da tinta das canetas rebentadas e o computador estilhaçado em cima da cama. Quem sabe se isso não te fará sentir melhor? Ainda assim, não arriscas. Apagas e reescreves. Repetes todo o processo. Voltas a ter vontade de rasgar, partir e mandar, mas respiras fundo e acalmas-te. Pegas novamente na entrada em branco e decides finalmente partilhar algo com os outros, ainda que pareça insignificante, é algo. Não está mau, mas podia estar melhor. Pode sempre estar melhor. É impressionante como nunca te contentas com aquilo que escreves até que alguém leia e te alimente o ego. Raios te partam! A ti e ao teu ego! Só porque juntas palavras, que formam frases e dão origem a textos, já te achas escritora. Escritora de tempos livres, é isso que és. Quando te lembras, quando te vem em gana, pegas no computador ou no caderno e escreves, como se o Mundo acabasse amanhã e tivesses de registar todos os teus pensamentos, para uma posterioridade que não existirá porque o Mundo já terá chegado ao fim, e no final ainda te dás ao luxo de não gostares do que escreveste e guardares só para ti. Pensas "porra, será que todos os que escrevem se sentem assim?", mas nunca te dás ao trabalho de ir à procura de alguém que escreva para o questionares sobre semelhante assunto. E assim te deixas ficar, entre folhas de cadernos e entradas em branco no blogue, nos tempos livres. Ah, quem te dera a ti ser escritora a sério. Mas não és. Ocupas-te, de vez em quando, nos teus tempos livres. Mas é só isso.
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