segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A merda das expectativas.

Conheci-a através do facebook, porque ambas pertencíamos ao mesmo movimento escotista. Com o mesmo nome e apenas um ano de diferença, fomos ficando mais próximas e, ao fim de uns meses, senti que tinha ali uma amiga para a vida. Uma daquelas amigas de verdade, que fica do nosso lado aconteça o que acontecer, que não desiste de nós. Uma daquelas amizades inabaláveis. Mas, pelos vistos, enganei-me.
Ninguém compreendia aquilo que nos unia. Vivíamos separadas por cerca de 500km de distância e passávamos imenso tempo separadas. No entanto, hoje em dia as tecnologias facilitam imenso as coisas e conseguíamos estar sempre em contacto. Até andámos a estudar juntas para os exames nacionais do secundário através do skype. Ela estava sempre lá, à distância de uma mensagem ou de uma chamada. Falávamos todos os dias e eu sentia que, mesmo longe, ela estava sempre presente. Com a entrada dela na faculdade, o tempo para falar comigo era cada vez menos e eu compreendia, afinal a faculdade dá imenso trabalho, sobretudo na altura de exames. Ela andava ocupada com trabalhos, amigos novos, saídas e uma nova cidade por explorar. Eu acabava por ficar à espera que ela tivesse uns minutos para mim. Houve alturas em que esteve meses sem me falar, mas nem assim eu desisti dela. Mesmo quando precisei e ela não esteve, eu não desisti dela. Chamei-a sempre à razão, disse-lhe que a sentia distante e que sentia a falta dela no meu dia a dia. Perdoei todas as ausências e nunca lhe cobrei nada.
Nas últimas semanas a cena repetiu-se. Ela andava ocupada com os estudos e eu esperei que o sufoco passasse, talvez nessa altura ela viesse conversar comigo. A verdade é que o fez, meteu conversa comigo como se tivéssemos estado a conversar no dia anterior, como se absolutamente nada se tivesse passado. Só que desta vez eu não consegui esconder a mágoa e fui eu quem não quis falar com ela. Na última semana precisei dela, precisei muito do apoio dela, mas ela andava muito ocupada com as coisas dela, como já vem sendo costume. E eu, no meu canto, procurei a melhor maneira de me aguentar, de me dar força a mim mesma para sair da cama todas as manhãs. Ela não tem culpa nenhuma daquilo que se anda a passar à minha volta, é óbvio que não, nunca me passou pela cabeça culpá-la do que quer que fosse. Melhor amiga. É assim que a considero (sim, ainda a sinto como tal, apesar de tudo). E como melhor amiga, esperava que não me abandonasse, que soubesse que, mesmo que se lembre de mim todos os dias, é necessário manter o contacto. Um dia, o C. disse que a culpa das pessoas nos desiludirem é apenas nossa, porque somos nós que criamos expectativas em relação a elas. A melhor maneira de evitar desilusões é não criando expectativas em relação a ninguém, é não esperar nada das pessoas. Assim, tudo o que vier é uma boa surpresa, não uma desilusão. Acho que foi das coisas mais acertadas que já alguém me disse. Mas o que fazer se continuo a ter fé nas pessoas? Eu continuo a acreditar que é o amor que move o mundo e, por isso, acredito no amor das pessoas. No amor dela. No amor da minha melhor amiga. Pode ser que ela perceba isso. Até lá, fico aqui. Eu e as minhas expectativas.