sábado, 27 de setembro de 2014

Pequena e insignificante ou um gigante?

Senti-me insignificante, inútil, impotente. Eu nada podia fazer para que toda aquela angústia que ele sentia desaparecesse, para que aquela tristeza que o invadia fosse embora, para que a dor deixasse de lhe dilacerar a alma. Eu estava ali, é verdade, ao lado dele, sempre com a minha mão a segurar a dele, mas comparada com o tamanho do sofrimento dele eu era apenas um pedaço de nada. Por mais apertado que o meu abraço fosse, não era suficiente para o envolver e o proteger daquele tormento. Nada do que eu pudesse dizer ou fazer lhe iria trazer o pai de volta. Era o final absoluto e irreversível e eu, que um dia lhe prometi fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para o ver sempre com um sorriso na cara, podia apenas limitar-me a suportar o peso do corpo dele quando as suas pernas já não fossem capazes de o fazer.
Foi um dia horrível. Apesar do sol e do calor, que fizeram questão de marcar presença, foi um dia feio e foi neste dia feio que descobri o poder e a força da amizade. A minha pequenez transformou-se e, aos olhos dele, fui um gigante com um abraço reconfortante, com efeitos curativos. Refugiou-se nos meus braços e soluçou no meu ombro, as lágrimas rolavam-me já duas a duas pela cara perante a impotência que sentia, mas apertei-o mais contra mim e prometi-lhe em silêncio que tudo ia ficar bem. Neste dia horrível aprendi que o sofrimento do meu melhor amigo, aquele amigo que é já como um irmão, que faz parte de mim, que é já uma extensão do meu corpo, dói mais do que qualquer sofrimento directamente meu. Neste dia horrível aprendi que não importa o quão pequena eu sou no Mundo, o meu verdadeiro tamanho é aquele que tenho no mundo dele. 

sábado, 20 de setembro de 2014

O início das aulas e as vossas queixas infindáveis.

Nesta altura do ano torna-se inevitável não falar sobre o regresso às aulas. Ultimamente só tenho visto queixas a circular na Internet sobre este assunto: porque não se gosta do horário, porque se tem de acordar cedo, porque se tem de apanhar o autocarro, porque não se gosta desta disciplina ou daquele professor, porque os colegas são uns ignorantes, porque as aulas são uma seca, porque as escola está cheia de "putos" novos... Enfim, toda uma série de reclamações que se repetem todos os anos e, muitas vezes, ao longo de todo o ano lectivo. A verdade é esta: também eu detesto ter de acordar cedo ou andar de autocarro, também eu tenho colegas que me apetece esbofetear cada vez que decidem abrir a boca, porque tudo aquilo que dizem transborda ignorância ou estupidez, também eu já tive professores dos quais não gostei e disciplinas que me aborreciam. Todos nós passámos por isso e vamos continuar a passar na nossa vida, no trabalho, no ginásio, num restaurante, em qualquer lado vão haver coisas que gostamos mais e coisas que gostamos menos. Quanto mais depressa se mentalizarem disso, mais depressa vão poder ocupar as vossas cabecinhas com problemas que o sejam realmente.
No fundo, nós somos uns sortudos por termos acesso ao ensino, por nos podermos formar e sermos aquilo que queremos. Temos esse privilégio e, ainda assim, continuamos a queixar-nos, a reclamar, a achar que aquilo que temos não presta e que podia existir algo melhor. Meus amigos, o ensino que temos hoje em dia é muito menos rigoroso que aquele que os nossos pais tinham há 30 anos atrás. E não me venham dizer que o ensino antigo não vos interessa para nada porque vocês estudam é agora, porque se olharem para trás e compreenderem como o ensino evoluiu desde então, vão com certeza perceber o quão privilegiados somos hoje em dia, o sem fim de comodidades e facilidades de que usufruímos e que não valorizamos. Assim, o meu conselho é: parem de reclamar e comecem a aproveitar! Se há certas aulas que são uma autêntica seca? Sim, há. Se existem professores que gostam de lixar a vida aos alunos? Sim, existem. Se vamos ter de levar com colegas estúpidos, chatos ou ignorantes todos os anos? Sim, vamos. E todas essas coisas vão acontecer no 3º Ciclo, no Secundário e até mesmo na Universidade. O truque está em deixarmos que todas essas coisas nos passem ao lado, em limitarmo-nos a dar o nosso melhor SEMPRE e em lutarmos por aquilo que queremos sem nunca desistir. A nossa felicidade só depende de nós mesmos e sim, ela também passa pela escola. 

Bom ano lectivo a todos vós que estudam, e aos que não, um ano cheio de paciência para aturar os estudantes queixosos.