domingo, 23 de julho de 2017

Se não te faz bem, deixa ir de vez.

    Senti-me culpada durante muito tempo. Não era correto, a meu ver, estar bem, espalhar a minha felicidade nas redes sociais, gostar da atenção e o carinho que me eram dados. Demorei bastante a perceber que tenho todo o direito de seguir com a minha vida, de deixar para trás aqueles que me fazem infeliz e dar a mão a quem me faz rir. Decidi que devo parar de ver e ouvir as coisas que vão contra a minha felicidade, que me trazem de volta o passado, porque nada de bom pode vir de um passado que nos magoou.
    Estou longe de ter superado o que quer que seja, mas estou no bom caminho. Percebi que não devo explicações a ninguém sobre o que faço ou deixo de fazer, que não me tenho de justificar por aquilo que estou a sentir. Não fui eu que escolhi que houvesse um ponto final, mas não é por isso que não posso seguir em frente. Posso, quero e vou. Aliás, se do outro lado já foi superado, porque é que comigo deveria ser diferente? Quanto mais descubro, mais me desiludo e pergunto-me se foi uma mudança de agora ou se fui eu que fui cega durante todo este tempo e nunca fui capaz de ver. Seja como for, não tenciono voltar ao lugar onde me perdi, onde me magoei. 
    Não é poético, não rima, não traz eufemismos ou metáforas, mas é a verdade. Hoje senti apenas necessidade de me expressar, mesmo que não fosse nada bonito ou que me fizesse sentir orgulhosa por ter escrito. Há dias assim, em que é preciso desabafar aquilo que nos passa pela cabeça, por muito que não tenha interesse para os outros. De qualquer forma, o self reminder é: sorrir sempre, desistir nunca.

domingo, 2 de julho de 2017

Who were you before someone broke your heart?

    Com um filtro de desilusão nos olhos, há coisas que consigo entender agora e tudo começa a fazer sentido. Por muito que me custe admitir, acho que o problema não foi acordar um dia e o sentimento já não estar lá; o problema foi o facto de nós já não sermos o mesmo que éramos no início. A relação que tínhamos deixou de existir e eu lutava por uma coisa que já tinha perdido há muito tempo. Podia continuar a tentar durante meses e a luta nunca seria suficiente, porque no fim de contas, estava agarrada a algo que já não tinha, estava agarrada a um fantasma. Qualquer esforço que eu fizesse, jamais seria suficiente. De que serve continuar a regar uma flor depois desta morrer?
    Acho que ainda não tinha caído em mim, nem tinha parado para pensar sobre o assunto. Estou tão habituada a isto, que nem fui capaz de perceber que há algum tempo que já era assim: por muito que eu desse, já não era suficiente, já não era o mesmo. Acho que me podias ter dito antes, talvez tivesse percebido a tempo de me magoar menos, talvez tivesse ido a tempo de não fazer esforços sobrehumanos para salvar algo que já não tinha salvação. Quando se ama, há muita dificuldade em perceber que há algo a desaparecer, acha-se sempre que tudo são atos de amor, acredita-se sempre que se ama incondicionalmente. É bom viver nessa ilusão, o mundo é mais bonito e a vida mais fácil. É bom, acima de tudo, quando não é só uma ilusão, mas sim amor de verdade. Quando se ama não se vê o que está a correr mal, desvaloriza-se os dias menos bons e as atitudes mais distantes. Talvez tenha sido esse o meu problema. Quis sempre acreditar que eram fantasmas na minha cabeça e que tudo estava bem. Afinal, o meu sexto sentido não me falhou, mas fui eu que não lhe quis dar ouvidos.