terça-feira, 31 de março de 2015

Falsa felicidade a dois.

Agora faz sentido, faz todo o sentido. Tu não gostaste de mim. Tu gostaste de tudo o que de bom existia em mim, sobretudo de tudo aquilo que te alimentava o ego magoado por uma paixão de vida frustrada. E eu, parva que era, achei que me amavas. Tu não tiveste ciúmes por teres medo de me perder, mas sim por saberes que havia por aí um alguém que poderia gostar de mim de verdade e, nessa altura, eu entenderia que o melhor para mim não eras tu e tu ficarias sozinho. E eu, parva que era, achei que era o teu medo de ficar sem mim a falar mais alto, mas tu só temias não ter mais ninguém para além de ti mesmo. Tu não me deixaste por achares que era o melhor para mim. Deixaste-me porque eu nunca fui mais do que um passatempo para ti, porque enquanto brincavas aos namorados comigo não te lembravas que não estavas a lutar pelo teu maior sonho de vida, porque enquanto estivesses comigo não te vinham à memória todos aqueles a quem viraste as costas. "Desculpa se confundi as coisas desde o início", disseste. E eu, parva que era, achei que estavas apenas numa fase complicada e confusa da tua vida. Mas a verdade é que ninguém confunde amizade com amor durante meses. E eu, parva que era, gostei mais de ti, do que me amei a mim mesma. Dei mais importância aos teus sonhos, aos teus quereres, do que aquilo que me fazia feliz e me realizava. Alimentei o teu ego e esqueci-me que o meu também tinha fome. Protegi o teu orgulho e, para tal, usei o meu como escudo. E eu, parva que era, achei que o verdadeiro amor era assim. Porém, amor envolve sempre duas pessoas e existe um constante dar e receber. Eu dava, dava tudo, e em troca recebi nada, um grande monte de nada. Eu gostei tanto de ti, pena que não tenha sido da maneira certa. A tua vontade era soberana e eu acatava qualquer decisão tua. Se tu estavas feliz, então tudo bem. E eu, parva que fui, achei que era feliz assim.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Deixa-me ter um momento de cansaço.

O cansaço apoderou-se dela. Não é aquele tipo de cansaço que se sente depois de uma corrida de dez quilómetros, nem depois de um dia de aulas, nem depois de um acampamento. Não. É outro tipo de cansaço. Um cansaço que não a deixa dormir à noite, quando encosta a cabeça na almofada e tem um jorrilho de sonhos e pesadelos, que a fazem acordar mais exausta do que quando se deitou. Um cansaço que a faz perder horas, no sofá, apoderada pela inércia, a fazer zapping e a ver episódios repetidos das suas séries preferidas. Um cansaço que não a deixa sair à rua, ir à praia, apanhar ar e sentir o sol a queimar-lhe a cara, porque este cansaço consome-a, deixa-a sem vontade de se mexer para o que quer que seja. Um cansaço que a deixa irritadiça com qualquer coisa, ou com qualquer pessoa, fazendo-a gritar e barafustar e, quando a tempestade passa e a bonança chega, a faz sentir-se a pior pessoa do mundo. Este cansaço é diferente de todo o cansaço que já sentiu anteriormente. É um tipo de cansaço novo para ela, um tipo de cansaço que ela não consegue dominar, que ela não consegue entender. Nem ela, nem ninguém à volta dela. Essa é a pior parte.