domingo, 31 de dezembro de 2017

Hi there, 2018

    2017 foi uma montanha russa emocional. Fui estupidamente feliz, mas também aprendi o que é ficar sem chão. Vi o meu grande amor dos últimos três anos desvanecer e senti a impotência de nada poder fazer para evitar que isso acontecesse. Fiz novas amizades. Aprendi a dar valor ao 'agora'. Senti-me amada. Em semanas, criei ligações com pessoas que parecia que conhecia há anos. Revisitei o meu amor dos 15 anos e achei que era possível tentar de novo, mas aprendi que nada posso fazer quando falta sentimento do outro lado. Senti-me usada. Dei imensas gargalhadas. Vi o meu esforço ser recompensado, mas também tive notas não equivalentes ao trabalho dado. Tive vontade de desistir e de deixar cadeiras para exame. Reapaixonei-me por mim mesma e pus-me em primeiro lugar, tomei-me como prioridade. Aprendi que não gosto de Antropologia e que, se tivesse mesmo seguido esse curso, seria terrivelmente infeliz. Percebi o valor da sinceridade. Desiludi-me com amigos próximos e recebi apoio de quem nunca esperei nada. Chorei baba e ranho, à uma da manhã e de coração partido; e chorei lágrimas de felicidade, com discursos de amigos. Tive saudades; matei saudades; senti saudades de novo. Aprendi que a distância não é uma questão de quilómetros e que, mesmo debaixo do mesmo tecto e partilhando a mesma cama, as pessoas podem estar completamente afastadas uma da outra. Fui elogiada, mas também muito criticada; houve dias em que nem me apeteceu sair da cama, por falta de motivação para sair à rua e levar com mais críticas. Aceitei projetos desafiantes e percebi que sou capaz de gerir muito mais coisas ao mesmo tempo do que aquilo que pensava. 
    Agora é deixar todos os maus momentos em 2017 e que 2018 venha carregado de novas oportunidades, de novos recomeços, de novas amizades e de muitas gargalhadas. Que 2018 seja o meu ano, o ano de me concretizar e de alcançar as minhas metas. Que o melhor deste ano, seja o pior do próximo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Preciso, porque mereço

    Eu preciso de alguém que esteja. Que esteja mesmo, por completo. Que esteja nos dias bons e nos dias maus, que acredite em mim quando eu não. Preciso de alguém que perceba que tenho mau feitio e que sou arisca, porque tenho medo de me apegar e de me magoar; que perceba que vou tentar sempre manter a distância, mesmo quando o que mais me apetece é estar bem perto. Preciso de alguém que me ligue por nada, que não se canse das minhas mensagens parvas e que me abrace sem eu pedir, que me abrace sempre. Preciso de alguém que me saiba abraçar à distância, de alguém que me aqueça o coração. Preciso de alguém que me faça rir com piadas parvas, que me seque as lágrimas e que goste de mim mesmo de nariz vermelho e toda fanhosa; de alguém que goste de me ver dormir e do meu mau acordar, que me ache linda de cara inchada e lençóis vincados na cara. De alguém que não tenha vergonha de me beijar em público, mas que saiba que gosto de passar despercebida. Que dê valor às pequenas coisas do dia a dia e que se lembre dos detalhes. Que me oiça e que me conte milhares de coisas, que me deixe descobrir cada recanto do seu ser e queira descobrir todas as minhas falhas.
    Preciso de alguém que converse comigo sobre tudo e sobre nada, que queira ver as estrelas às 4h da manhã ou que queira passar a noite ao balcão de um bar, a beber shots de tequila. Preciso de alguém que me leve a comer waffles e gelados ou que me peça para lhe fazer panquecas, para passar a tarde a ver filmes debaixo das mantas e que perceba que me tem de aquecer os pés, que estão sempre em modo bloco de gelo. Preciso de alguém que compreenda que sou uma apaixonada pelo Natal e que me comporto como uma criança feliz nesta época, que gosto de passear na praia seja qual for a época do ano e que, mesmo tendo 22 anos, continuo a ter medo do escuro. Preciso de alguém que me leve a casa e demore uma eternidade a despedir-se de mim, à porta do prédio, como se fosse a última vez que nos vamos ver, mesmo que já tenhamos planos para o dia seguinte. E preciso de alguém com paciência para adormecer em chamada comigo, quando está vento ou trovoada lá fora. Preciso de alguém que me dê colo quando estou triste, de alguém onde me possa refugiar quando tenho medo, de alguém que ria da minha gargalhada histérica e feliz ao fim de um dia brutal, de alguém que me lembre do meu valor nos dias em que não tenho vontade de sair da cama, de alguém que me dê estabilidade e segurança suficiente, para me entregar sem receios. Preciso de alguém que me ame, sobretudo nos dias em que menos mereço.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O amor é para os corajosos

    Hoje em dia, ninguém tem tempo nem paciência para amar. Os relacionamentos começam já com um prazo de validade estipulado, porque dá demasiado trabalho manter a chama acesa ou porque não se gosta de discutir ou porque nas alturas festivas é preciso oferecer presentes. Hoje em dia, não se pensa numa vida a dois, porque isso implica abdicar do espaço pessoal, dos hábitos de solteiro. Olha-se para uma relação como se olha para uma prisão, com as suas regras, com as suas imposições e restrições. Não se vê mais além do básico, daquilo que todos são capazes de ver.
    Nos dias que correm, pouca importância se dá às pequenas coisas. Já pouco se liga ao sorriso do outro quando nos vê chegar, às mensagens inesperadas, aos beijos à socapa, às conversas de madrugada. Nos dias que correm, conhecer alguém, de verdade, dá demasiado trabalho, os defeitos são demasiado chatos e as virtudes não os colmatam. Perdeu-se o gosto por conhecer hábitos, vícios e manias, por compreender, por observar. Vivem-se relações esporádicas e expresso, como que um fast food do amor, desprovido de sentimentos, porque quanto menos nos apegar-mos melhor. Já não se arrisca, já não se luta, já não se fazem declarações. Com uma sms resolve-se o assunto e, se não ficar resolvido, parte-se para outra.
    Eu sou um problema nos dias de hoje, porque eu gosto de amar. Eu gosto de perder a noção das horas a conversa, a conhecer alguém, a dar-me a conhecer. Eu gosto de conhecer os tiques nervosos, as manhas, os hábitos. Eu gosto de olhar nos olhos, de falar com eles. Eu gosto de saber os defeitos de cor. Eu gosto de ligar quando sinto saudades, de ligar quando preciso de desabafar, de ligar por estar demasiado eufórica para conseguir dormir ou de ligar só porque sim, para ouvir aquela voz. Eu gosto de abraços apertados e de sentir o cheiro de alguém; e gosto quando esse cheiro fica na minha roupa. Eu gosto de fazer sorrir e gosto que me façam corar. Eu gosto de fazer alguém sentir-se especial, de ter sentimentos e de me apegar. Eu gosto de me declarar, mas talvez não sendo meu o primeiro passo. Eu gosto de ficar, gosto de amar.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Start over, each morning. Don't give up.

    E tu dás o litro. O litro e meio, até. Fazes tudo o que podes, em tudo o que podes, por quem podes. Mas, ainda assim, nunca chega. Por muito que te esforces, nunca chega a ser suficiente, porque todos vão estar à espera que faças mais. Mesmo que passes os dias inteiros fora de casa, sempre a correr para todo lado, quase a dividir-te ao meio para poderes dar atenção a todos os que a pedem, a fazer parecer que as 24h do dia passaram a ser 48h. Mesmo que mal durmas, para conseguires ter tudo em dia, para cumprir prazos e para não falhar com nada nem com ninguém. Mas, mesmo sabendo que não vai ser suficiente, tu continuas a dar o litro. O litro e meio se é preciso. E nem tens tempo para te queixar, porque para te queixares tens de deixar qualquer coisa por fazer. Então continuas, continuas até não aguentares os olhos abertos e só então é que desistes, só então é que te rendes ao sono e aceitas deitar a cabeça na almofada e descansar o corpo por umas horas, ainda que sejam insuficientes, porque o cansaço está acumulado há dias, às vezes até semanas. E nunca desistes porque aquilo que fazes te realiza, te faz sentir viva, te faz sentir útil ou importante, te faz sentir feliz. E nunca desistes porque nunca o soubeste fazer, nunca soubeste quando é permitido baixar os braços e assumir que estás cansada. Porque das poucas vezes que o fizeste, todo o mundo te caiu em cima por alguma qualquer falha que cometeste. É mais fácil criticar do que fazer melhor, por isso é que as críticas chegam de todos os lados, mas mãos prontas a ajudar são escassas as que chegam até ti. E tu dás o litro. O litro e meio, sem queixas.Fazes tudo o que podes, em tudo o que podes, por quem podes. Mas, ainda assim, nunca chega.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

my fav birthday boy

«sabes uma coisa? vai ser sempre assim, vamos ser sempre nós, vais ser sempre tu. por mais anos que passem, vais ser sempre tu a pessoa de quem vou precisar em todos os momentos. é para ti que vou sempre ligar a chorar, à 1h da manhã, porque alguém me partiu o coração. vai ser sempre a ti que vou querer contar todas as novidades da minha vida. vais ser sempre a melhor companhia das noitadas, por muito que não saibas dançar e me pises a noite toda. vais ser sempre aquele que mais facilmente me faz gargalhar. vais ser sempre tu a dar-me colo. vais ser sempre tu que me vais obrigar a sair de casa "só para ir um bocadinho ao chill" e me vais fazer chegar a casa às 3h da manhã. vais continuar a ser a pior pessoa para ligar, porque nunca atendes, mas eu vou continuar a tentar sempre. vais ser sempre tu quem se vai colar aqui em casa para comer panquecas, ver filmes e, já agora, para jantar também. vais ser sempre tu que vens ter comigo e adormeces na minha cama e nem deixas espaço para mim. vais continuar a ser o maior graxista para pedir boleias e vais continuar a consegui-las sempre. vamos continuar a ser duas crianças sempre que estivermos juntos. vais continuar a dizer que odeias fazer conchinha, mas vais acordar sempre agarrado a mim na manhã seguinte. vais ser sempre o único com quem caço caracóis nas dunas. vais ser sempre tu a minha metade, o meu grande amor, o meu irmão de outra mãe, o meu melhor amigo. e para tudo isso não há palavras suficientes no mundo que me permitam agradecer, mas obrigada por todos estes anos de amizade que temos partilhado e por todas as peripécias que vivemos lado a lado. obrigada, mais uma vez, por não desistires de mim e por nunca me deixares baixar os braços.
parabéns pelos 20 🎉 e que venham mais vinte para celebrar ao teu lado. nunca me deixes, amo-te muito ❣️#agorapensa»


sábado, 14 de outubro de 2017

9 years and couting

    Avô,

    Gostava que soubesses que a vida não voltou a ser a mesma depois de ti. Que, nove anos depois, ainda não aprendi a lidar com a tua ausência, ainda não sei o que fazer a esta saudade que me aperta o peito. Sinto a tua falta todos os dias, mesmo que raramente o diga. E eu sei que a mãe também, mas não dá parte fraca. Já ninguém me faz pargo no forno, ninguém me liga todos os dias a perguntar como estou e se já vi nas notícias o último perigo mortal escondido em não sei quê que uso todos os dias. Já não me ligas, já não cozinhas para mim, já não me fazes cafuné, já não te zangas comigo, já não vamos passear os dois. Já não estás. E há nove anos que assim é. 
    Gostava, também, que soubesses que já estou no segundo ano da licenciatura, que vou a festas, mas não falto às aulas no dia a seguir (quase nunca falto, vá), que as minhas notas são boas e que gosto mesmo daquilo que estou a fazer. Até já tenho uma ideia daquilo que quero fazer no mestrado. Sempre fui muito organizada com a escola, tu sabes que sim. Consegui comprar o traje, avô, e já tenho emblemas na capa. Não me esqueci de ti, tens um espacinho só teu e no qual eu tenho o maior orgulho! Obrigada por tudo o que fizeste por mim, enquanto pudeste. Fiz amigos, não te preocupes, estou bem entregue e eles dão-me casa quando há festas. Não ando sozinha na rua à noite, fica descansado, e também não conduzo a altas horas da madrugada. 
    Gostava que soubesses tanta coisa, que vinte e quatro horas não chegariam para te contar tudo aquilo que por aqui se tem passado, às voltas que a vida nos tem dado. Mas estou feliz, sou feliz aqui e, finalmente, sinto que pertenço a um lugar. Até já fiz o curso avançado dos Escoteiros! Sentes-te velho ao ver como cresci? Tenho vinte e dois, mas todos os anos, o catorze de outubro me faz sentir que tenho treze outra vez, sinto-me pequenina e consumida por saudades. E ao fim deste tempo todo, consigo perceber que nada disto vai passar e que vou continuar, sempre, a ser a menina que era no dia em que nos deixaste, que vou sentir umas saudades loucas de ti e que as lágrimas vão continuar a rolar, duas a duas, sem que a minha vontade as faça parar. Que por muito que eu queira, que peça, que suplique, o dia catorze de outubro não vai desaparecer do calendário e vai ser sempre o dia mais triste e feio do ano. Prometo que nunca te esqueço e que, se houver algo depois disto, nos vamos encontrar um dia.

A tua nêspera, 
Joana

domingo, 23 de julho de 2017

Se não te faz bem, deixa ir de vez.

    Senti-me culpada durante muito tempo. Não era correto, a meu ver, estar bem, espalhar a minha felicidade nas redes sociais, gostar da atenção e o carinho que me eram dados. Demorei bastante a perceber que tenho todo o direito de seguir com a minha vida, de deixar para trás aqueles que me fazem infeliz e dar a mão a quem me faz rir. Decidi que devo parar de ver e ouvir as coisas que vão contra a minha felicidade, que me trazem de volta o passado, porque nada de bom pode vir de um passado que nos magoou.
    Estou longe de ter superado o que quer que seja, mas estou no bom caminho. Percebi que não devo explicações a ninguém sobre o que faço ou deixo de fazer, que não me tenho de justificar por aquilo que estou a sentir. Não fui eu que escolhi que houvesse um ponto final, mas não é por isso que não posso seguir em frente. Posso, quero e vou. Aliás, se do outro lado já foi superado, porque é que comigo deveria ser diferente? Quanto mais descubro, mais me desiludo e pergunto-me se foi uma mudança de agora ou se fui eu que fui cega durante todo este tempo e nunca fui capaz de ver. Seja como for, não tenciono voltar ao lugar onde me perdi, onde me magoei. 
    Não é poético, não rima, não traz eufemismos ou metáforas, mas é a verdade. Hoje senti apenas necessidade de me expressar, mesmo que não fosse nada bonito ou que me fizesse sentir orgulhosa por ter escrito. Há dias assim, em que é preciso desabafar aquilo que nos passa pela cabeça, por muito que não tenha interesse para os outros. De qualquer forma, o self reminder é: sorrir sempre, desistir nunca.

domingo, 2 de julho de 2017

Who were you before someone broke your heart?

    Com um filtro de desilusão nos olhos, há coisas que consigo entender agora e tudo começa a fazer sentido. Por muito que me custe admitir, acho que o problema não foi acordar um dia e o sentimento já não estar lá; o problema foi o facto de nós já não sermos o mesmo que éramos no início. A relação que tínhamos deixou de existir e eu lutava por uma coisa que já tinha perdido há muito tempo. Podia continuar a tentar durante meses e a luta nunca seria suficiente, porque no fim de contas, estava agarrada a algo que já não tinha, estava agarrada a um fantasma. Qualquer esforço que eu fizesse, jamais seria suficiente. De que serve continuar a regar uma flor depois desta morrer?
    Acho que ainda não tinha caído em mim, nem tinha parado para pensar sobre o assunto. Estou tão habituada a isto, que nem fui capaz de perceber que há algum tempo que já era assim: por muito que eu desse, já não era suficiente, já não era o mesmo. Acho que me podias ter dito antes, talvez tivesse percebido a tempo de me magoar menos, talvez tivesse ido a tempo de não fazer esforços sobrehumanos para salvar algo que já não tinha salvação. Quando se ama, há muita dificuldade em perceber que há algo a desaparecer, acha-se sempre que tudo são atos de amor, acredita-se sempre que se ama incondicionalmente. É bom viver nessa ilusão, o mundo é mais bonito e a vida mais fácil. É bom, acima de tudo, quando não é só uma ilusão, mas sim amor de verdade. Quando se ama não se vê o que está a correr mal, desvaloriza-se os dias menos bons e as atitudes mais distantes. Talvez tenha sido esse o meu problema. Quis sempre acreditar que eram fantasmas na minha cabeça e que tudo estava bem. Afinal, o meu sexto sentido não me falhou, mas fui eu que não lhe quis dar ouvidos. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Does love even live here anymore?

    Não se pode obrigar alguém a sentir aquilo que já não sente. Percebi que não posso lutar por um amor que já não existe, que sozinha não salvo uma relação e que, se ele está melhor assim, eu tenho de respeitar. De respeitar e de fazer o luto. Está na hora de seguir em frente e de pensar naquilo que quero fazer daqui para a frente, daquilo que pretendo fazer com a minha vida, na certeza, porém, de que vou ter muitos dias difíceis, em que desistir me vai parecer a única solução, em que me vai apetecer correr de volta para a segurança dos braços que me seguraram durante anos, em que nenhum sítio vai ser melhor do que aquele que for ao lado dele.
    Está na hora de sair à noite, de ir à praia com amigos, de fazer planos divertidos, de passar tardes a ler, de experimentar coisas novas. Está na hora de curar as feridas, de arranjar uma maneira de me levantar da cama todos os dias e sorrir para a vida, a nova vida que agora tenho. Está na hora de me habituar de novos às rotinas que tinha antes das rotinas com ele, de criar novas rotinas, de organizar futuras rotinas. Está na hora de conhecer novas pessoas, fazer novas amizades. Está na hora de não deixar que a minha vulnerabilidade me tolde a razão, de não me deixar enrolar por engates foleiros de rapazes que só querem dar umas voltas e se aproveitam da minha situação, de não me envolver com ninguém só para esquecer outra pessoa. A vida continua, mesmo que custe. Quem sabe se um dia não volto a encontrar alguém que me faça reacreditar que o amor move montanhas.

domingo, 11 de junho de 2017

As lágrimas que não choro, enferrujam-me o coração.

    Acho que me estragaste. Passou uma semana e estou apoderada de uma calma exacerbada, completamente anormal em mim. Tenho-me sentido bem, todos os dias. Tenho-me mantido ocupada e não tenho pensado muito no assunto. A única coisa que não consigo evitar são os sonhos rotineiros, todas as noites, sempre o mesmo assunto. Mas até isso me tem passado ao lado. Estou bem, sinto-me bem e as pessoas perguntam-me como é que consigo estar assim. Eu devolvo a pergunta: "como é que eu consigo estar assim?". Assim tão calma, tão serena, tão normal.
    Mas eu sinto que me estragaste, porque desde há uma semana que não consigo derramar uma lágrima. Sinto o amargo na garganta, o nó no estômago e, no limite, os olhos marejados de lágrimas, mas nunca escorrem. Não choro, não consigo chorar. E eu sempre fui uma pessoa emotiva, como tu bem sabes. Parece que desaprendi a chorar. Porquê? Porque é que me deixaste assim? Podias ter-me deixado inteira, tal como me entreguei a ti, com os meus defeitos de feitio, mas sem defeitos de fabrico. Afinal, voltei com alguns melhoramentos, mas sem saber chorar. Eu gostava muito da minha capacidade de chorar, de me emocionar e de sentir, sentir coisas que agora não sinto. Estou vazia.
    E eu sei que isto está a milhas de distância de significar que superei. Não superei nada. Três anos não se guardam numa gaveta fechada e se esquecem. O amor de uma vida não se supera estalando os dedos. A dor de amar e não ser correspondida não é algo que não tenha importância. Estou convicta que o pior ainda está para vir. Que o choro um dia vai chegar, em grande. Que a tempestade vai ser a maior que alguma vez tive de ultrapassar. Que a força que tive ontem para enfrentar a tua presença, sem o teu toque e o teu olhar, vai desaparecer. Que eu vou fraquejar e cair. Até lá, vou-me mantendo como até agora, suspensa por uns fios, que não sei de onde vêm nem para onde me levam, na certeza, porém, de que não estou feliz, mas estou bem. Pelo menos, mal não me sinto.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Que espécie de amiga esperam que seja?

 Sou o tipo de pessoa que guarda as próprias dores no bolso, para ajudar a curar as dos amigos. Sempre fui, sempre serei. Não sei ser amiga de outra forma, não sei não me preocupar, não sei não cuidar. Vivo as amizades de forma intensa, sou tudo de mim e não peço muito em troca, apenas abraços apertados, gargalhadas estridentes e um ombro onde chorar. Sou esse tipo de amiga e orgulho-me de o ser.
 Porém, com o passar do tempo, aprendi que deve haver um equilíbrio entre esse intenso dar e o amor próprio que me tenho, porque de tanto dar e pouco receber, acabo por desequilibrar e é importante não abdicar da paz de espírito que se sente quando há equilíbrio. Foi por isso que aprendi a estabelecer prioridades e a saber quando devo por os outros em primeiro lugar e quando devo ser eu a primeira da minha lista. É um processo que se aprende com o passar dos anos, à medida que se vai crescendo, uns mais depressa que outros. Não é nenhum conhecimento inato, com o qual nascemos e que dominamos a vida toda.
 É por isso que me afasto de tudo aquilo que me desequilibra, para poder continuar em paz e conseguir ser a amiga que sempre fui. Sou péssima a perder pessoas e pior ainda em conseguir deixar de me preocupar com elas, mas também sei ver quando não valem mesmo a pena. É tudo uma questão de aprendizagem e de perceber que nos devemos focar naquilo que nos faz bem, estar com as pessoas que nos fazem felizes. E eu só sou feliz ao lado daqueles junto dos quais o meu riso é fácil, as lágrimas são escassas e as rugas de expressão são de levar com o sol na cara. Eu só sou feliz ao lado de quem é feliz comigo, ao lado de quem me compreende, de quem me apoia, de quem me ama. Eu só sou feliz ao lado de quem me abraça. Só sou feliz ao lados dos meus amigos. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sintomas de saudade.

 Hoje acordei mais mole do que o costume e as piadas contadas na rádio, durante o trajeto até à faculdade, não me fizeram rir. Hoje acordei impaciente e com pouco apetite. Hoje acordei sem vontade de sair da cama e com uma sensação de vazio enorme. Hoje acordei com saudades. Com saudades de tudo, mas de nada em específico. Talvez por andar mais cansada do que o devido, estou mais nostálgica, mas acordei toda feita num poço de saudades. Saudades de pessoas, de coisas, de músicas, de lugares... saudades! E demasiadas para uma pessoa só.
 Senti saudades do meu melhor amigo, da minha prima e até de pessoas que em tempo considerei amigos e que hoje em dia não sei nada deles. Senti saudades daquelas músicas que ouvia quando tinha 14 anos e me achava super na moda por as ouvir. Senti saudades de jogar basquetebol, do nervoso miudinho antes dos jogos, do cansaço depois de um treino e da sensação do toque do equipamento na pele. Senti saudades da praia, do sol de final de tarde, do cheiro da pele depois de um dia de verão, da animação das noites de verão e do sabor dos gelados, mas do sabor que têm no verão, durante o resto do ano sabem bem, mas não igual. Senti falta de tanta coisa, hoje, que me questionei como é que tanta saudade cabia dentro de um só peito.
 Mas a maior saudade que senti hoje foi a de escrever. De escrever o que quer que fosse, desde que fosse sentido por mim. Senti saudades de me sentar, isolada do mundo, a preencher linhas. A falta de tempo nem sempre me deixa escrever, aliás, quase nunca me deixa, porém eu sou um bichinho da escrita e preciso dela para me manter equilibrada. Há quem alinhe os chakras, há quem pratique yoga ou vá correr, há quem medite, há quem olhe para as estrelas ou enterre os pés na areia. Eu escrevo. Escrevo muito, escrevo tudo e escrevo sempre (ou sempre que posso!).