quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Amo-te, vô.

Estou cansada do dia 14 de outubro. Não deste 14 de outubro em concreto, mas sim de qualquer 14 de outubro, sobretudo desde há sete anos atrás e até mesmo de todos os que estão por vir. Se pudesse, mandava abolir este dia do calendário. Só te escrevo neste dia, só choro neste dia, só permito que o resto do mundo veja a falta que me fazes neste dia. Só exteriorizo a minha dor neste dia, mas lembro-me sempre de ti, avô. Sempre, acredita que sim. Só não posso deixar que a tua ausência me afecte desta maneira todos os dias. 
Se ainda aqui estivesses, estarias cheio de orgulho pela minha entrada na faculdade, tenho a certeza disso. Talvez tivesse ido viver contigo. Se ainda aqui estivesses, continuarias a ser o picuinhas e chato do costume. Oh, avô, gostávamos tanto das tuas picuinhices e dos teus telefonemas diários... Fazes falta por cá! Ficou tanta coisa por fazer e por dizer. Merecias ter tido mais tempo, para espalhar essa tua teimosia, essa tua preocupação e essa tua dedicação. Merecíamos ter tido mais dias juntos. Como qualquer outra morte, a tua foi injusta. Injusta de tantas maneiras e para tantas pessoas. O tempo passa e, sete anos depois, continuo a sentir a tua falta como no primeiro dia. Acho que isso não vai melhorar. 

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