sábado, 28 de dezembro de 2019

Alma Gémea da minha

    Um ano. Passou um ano e eu não sei expressar a gratidão que sinto por, ao fim de 24 anos, os nossos caminhos se terem cruzado. Eu mal dei pelo tempo passar e dificilmente diria que se passaram estes 365 dias. Foi natural, foi fácil, abrir-te as portas da minha casa, e do meu coração, e deixar-te entrar, aos poucos, à tua maneira, sem pressões nem exageros, quase de forma subtil e sem darmos por isso. A espera valeu a pena, ainda que eu não soubesse que te esperava, mas a vida sabia que te tinha que trazer até mim, na altura em que ambas precisássemos de nos encontrar. Só o destino explica o teu aparecimento, estavas-me destinada, para me demonstrar que é possível conhecer alguém que seja igual e diferente de mim ao mesmo tempo, de tal forma que me completas. 
    Foste o presente mais bonito que a vida me podia ter dado para fechar a década com chave de ouro e és, sem sombra de dúvida, a pessoa que quero levar para a vida, até sermos velhinhas e fazermos corridas de cadeiras de rodas elétricas nos corredores do lar. És a calma, quando eu sou tempestade. És o colo dos dias difíceis e a companheira das noites loucas. És a amiga de todas as horas e o ombro onde posso soluçar a qualquer momento. És a pessoa em quem confio de olhos fechados e com quem sei sempre que posso contar. És a única pessoa que conheço que goste tanto de alperces secos e cajus quanto eu. És a pessoa que me ouve e nunca me julga, que respeita sempre as minhas decisões, mas que sabe quando deve chamar-me à razão e dar-me sermões. Palmadinhas nas costas não é muito a tua cena, mas és o abraço-casa sempre pronto para me receber. És a minha pessoa, a alma gémea da minha alma. 
    Todo o amor que te tenho não pode ser explicado e é isso que o torna tão incompreendido pelas pessoas à nossa volta. Talvez por inveja, até, por verem que aquilo que construímos não é facilmente encontrado por aí e eu ainda nem acredito na sorte que tive em encontrar-te. Um obrigada para ti nunca será suficiente para tudo aquilo que fazes por mim e por tudo aquilo que vivemos, mas fica a promessa de te demonstrar a minha gratidão todos os dias e de nunca te falhar nem te deixar desamparada, porque aconteça o que acontecer, estou sempre de braços abertos para ti. Um ano. Passou um ano e eu não sei expressar a gratidão que sinto por, ao fim de 24 anos, os nossos caminhos se terem cruzado. Eu mal dei pelo tempo passar e dificilmente diria que se passaram estes 365 dias, mas não podia estar mais feliz por, há um ano atrás, te ter dados dicas sobre as cadeiras que ias ter e ter insistido naquele café que insistias em deixar no esquecimento. Obrigada por me teres querido manter a par das notas e por te teres preocupado nos momentos certos, mesmo que não soubesses o quão importante essa preocupação estava a ser. Amo-te para a vida. To Plutão and back, sempre mais duas viagens do que ontem.

quarta-feira, 6 de março de 2019

E quando amar só não chega?

    Ao longo dos meses fomos construindo a nossa história. A nossa história atribulada, cheia de altos e baixos. Não foi uma adaptação fácil e foi preciso engolir muito o orgulho em certos momentos, perceber que eras novata nisto das relações e que, para todos os efeitos, era a primeira vez que fazíamos isto. Aceitei coisas que não aceitaria com mais ninguém (e que hoje sei que não aceitarei de novo), porque me apaixonei por ti muito mais depressa do que contava e preferia ter-te daquela forma, do que não te ter de todo. Ainda que isso me fosse custando a sanidade mental. Então, fui aceitando as tuas condições, os teus receios, o teu pé atrás, a tua incapacidade de te entregares e de estar numa relação séria, só tu e eu. Aos poucos, foste cedendo e dando-me razão de que, na verdade, não aguentarias ver-me com mais ninguém, como eu tive de aguentar durante meses. 
    O nosso amor cresceu, sempre secreto, sempre só nosso e foi tão bom assim. Pudemos ser nós, sem ninguém a meter-se pelo meio, sem segundas opiniões. Mas foi difícil passar sozinha pelos momentos em que nem sequer me davas oportunidade para me explicar. "O que ninguém sabe, ninguém estraga" fui-me convencendo disso durante meses. E ninguém estragou. Mesmo quando começaram a saber. Fomos nós que nos estragámos, sempre com limitações, com discussões e com contrariedades. Aos poucos, fomos deixando de dizer e de fazer, só para não levantar, não criar mais discussões, porque queríamos estar bem. E fomos deixando de ser nós.
    E agora? O que faço ao amor imenso que te tenho e à mágoa gigante que carrego no peito? Não é falta de amor e ambas sabemos. O que me falta é a coragem para continuar a levantar a cabeça após cada queda, a força para continuar a lutar para que as coisas dêem certo. Ninguém devia ter de mudar assim tanto por alguém, ninguém devia aguentar coisas que lhe trazem mágoa por outra pessoa, uma relação não devia ser baseada em "vamos fazer o esforço para". O que se faz quando o amor, por si só, não chega? O que se pode fazer quando os dias maus são mais do que os dias bons e não somos felizes todos os dias ao lado daquela pessoa? O que faço para que o filtro de mágoa desapareça e me volte a sentir apaixonada por ti todos os dias? Para voltar a contar os segundos para te ver? Para sentir borboletas no estômago quando te vejo chegar? 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

"Vais ser feliz, mas antes vais aprender a ser forte"

   De repente, dás por ti no último semestre da licenciatura. Daqui a meia dúzia de meses tens o curso terminado e vais sentir-te realizada, vais sentir que todo o esforço valeu a pena e que todas as horas passadas a estudar e a fazer trabalhos foram compensadas. De repente, percebes que estás a um passo de estar licenciada. Como assim? Já? Passou a voar! Ainda ontem foste besta e estavas a ser praxada, ou pelo menos, lembras-te como se fosse ontem. Ainda ontem tiveste as primeiras aulas e foste, completamente em pânico para as primeiras frequências e apresentações de trabalhos. Ainda ontem eras manceba, o ano em que é mais aborrecido ir a jantares de curso, porque as atenções são centradas no outros anos, mas o ano em que começas a ter cadeiras com as quais te identificas mais e onde os trabalhos começam a exigir mais de ti. E ainda ontem praxaste, ganhaste afilhados e os acolheste debaixo da capa e, hoje, já lhes estás a dar a tua fita de finalista e a pedir para te entregarem a tempo de a colocares na capa para a benção. Hoje, vês os teus padrinhos ficarem nostálgicos, pela pintainha deles já ser finalista e sentirem-se velhos e pensas que, se o tempo voou até agora, vai continuar a voar e, quando deres por ti, vais ser tu nesse lugar, a ver os teus rebentos finalistas e sentires-te velha. Na verdade, já te sentes, não é? Em maio eles já traçam a capa, TU já lhes traças a capa!
    Então, de repente, és apoderada de uma nostalgia gigante, porque está tudo a acabar. Mas também és apoderada de um pânico enorme, por veres a quantidade de trabalho que já tens para o semestre, que te vai consumir imenso tempo, mas tu queres continuar a ser uma madrinha e uma afilhada presente, queres ter tempo para ir a festas e jantares, para tomar café e dar colo. E não sabes se vais ter tempo para tudo isso e para manter as tuas horas de sono em dia. Provavelmente, não. Aliás, com toda a certeza que não, mas ainda assim vais tentar, porque queres ser e estar. E, depois destas preocupações todas, vem o medo de não vires a ter nota para entrar no mestrado que queres, do trabalho que a tese implica e de não vires a ser uma boa profissional, medo atenuado pelo consolo dos padrinhos e o carinho dos afilhados, bem como do apoio da família, mas tens sempre medo, porque exiges muito de ti e queres ser a melhor possível em tudo o que fazes. De repente, dás por ti no último semestre da licenciatura. Daqui a meia dúzia de meses tens o curso acabado e sabes que vais sentir-te realizada, mas até lá estás perdida, assustada e atolada em trabalho, mas, no fim de contas, feliz.