quinta-feira, 29 de junho de 2017

Does love even live here anymore?

    Não se pode obrigar alguém a sentir aquilo que já não sente. Percebi que não posso lutar por um amor que já não existe, que sozinha não salvo uma relação e que, se ele está melhor assim, eu tenho de respeitar. De respeitar e de fazer o luto. Está na hora de seguir em frente e de pensar naquilo que quero fazer daqui para a frente, daquilo que pretendo fazer com a minha vida, na certeza, porém, de que vou ter muitos dias difíceis, em que desistir me vai parecer a única solução, em que me vai apetecer correr de volta para a segurança dos braços que me seguraram durante anos, em que nenhum sítio vai ser melhor do que aquele que for ao lado dele.
    Está na hora de sair à noite, de ir à praia com amigos, de fazer planos divertidos, de passar tardes a ler, de experimentar coisas novas. Está na hora de curar as feridas, de arranjar uma maneira de me levantar da cama todos os dias e sorrir para a vida, a nova vida que agora tenho. Está na hora de me habituar de novos às rotinas que tinha antes das rotinas com ele, de criar novas rotinas, de organizar futuras rotinas. Está na hora de conhecer novas pessoas, fazer novas amizades. Está na hora de não deixar que a minha vulnerabilidade me tolde a razão, de não me deixar enrolar por engates foleiros de rapazes que só querem dar umas voltas e se aproveitam da minha situação, de não me envolver com ninguém só para esquecer outra pessoa. A vida continua, mesmo que custe. Quem sabe se um dia não volto a encontrar alguém que me faça reacreditar que o amor move montanhas.

domingo, 11 de junho de 2017

As lágrimas que não choro, enferrujam-me o coração.

    Acho que me estragaste. Passou uma semana e estou apoderada de uma calma exacerbada, completamente anormal em mim. Tenho-me sentido bem, todos os dias. Tenho-me mantido ocupada e não tenho pensado muito no assunto. A única coisa que não consigo evitar são os sonhos rotineiros, todas as noites, sempre o mesmo assunto. Mas até isso me tem passado ao lado. Estou bem, sinto-me bem e as pessoas perguntam-me como é que consigo estar assim. Eu devolvo a pergunta: "como é que eu consigo estar assim?". Assim tão calma, tão serena, tão normal.
    Mas eu sinto que me estragaste, porque desde há uma semana que não consigo derramar uma lágrima. Sinto o amargo na garganta, o nó no estômago e, no limite, os olhos marejados de lágrimas, mas nunca escorrem. Não choro, não consigo chorar. E eu sempre fui uma pessoa emotiva, como tu bem sabes. Parece que desaprendi a chorar. Porquê? Porque é que me deixaste assim? Podias ter-me deixado inteira, tal como me entreguei a ti, com os meus defeitos de feitio, mas sem defeitos de fabrico. Afinal, voltei com alguns melhoramentos, mas sem saber chorar. Eu gostava muito da minha capacidade de chorar, de me emocionar e de sentir, sentir coisas que agora não sinto. Estou vazia.
    E eu sei que isto está a milhas de distância de significar que superei. Não superei nada. Três anos não se guardam numa gaveta fechada e se esquecem. O amor de uma vida não se supera estalando os dedos. A dor de amar e não ser correspondida não é algo que não tenha importância. Estou convicta que o pior ainda está para vir. Que o choro um dia vai chegar, em grande. Que a tempestade vai ser a maior que alguma vez tive de ultrapassar. Que a força que tive ontem para enfrentar a tua presença, sem o teu toque e o teu olhar, vai desaparecer. Que eu vou fraquejar e cair. Até lá, vou-me mantendo como até agora, suspensa por uns fios, que não sei de onde vêm nem para onde me levam, na certeza, porém, de que não estou feliz, mas estou bem. Pelo menos, mal não me sinto.