De repente, dás por ti no último semestre da licenciatura. Daqui a meia dúzia de meses tens o curso terminado e vais sentir-te realizada, vais sentir que todo o esforço valeu a pena e que todas as horas passadas a estudar e a fazer trabalhos foram compensadas. De repente, percebes que estás a um passo de estar licenciada. Como assim? Já? Passou a voar! Ainda ontem foste besta e estavas a ser praxada, ou pelo menos, lembras-te como se fosse ontem. Ainda ontem tiveste as primeiras aulas e foste, completamente em pânico para as primeiras frequências e apresentações de trabalhos. Ainda ontem eras manceba, o ano em que é mais aborrecido ir a jantares de curso, porque as atenções são centradas no outros anos, mas o ano em que começas a ter cadeiras com as quais te identificas mais e onde os trabalhos começam a exigir mais de ti. E ainda ontem praxaste, ganhaste afilhados e os acolheste debaixo da capa e, hoje, já lhes estás a dar a tua fita de finalista e a pedir para te entregarem a tempo de a colocares na capa para a benção. Hoje, vês os teus padrinhos ficarem nostálgicos, pela pintainha deles já ser finalista e sentirem-se velhos e pensas que, se o tempo voou até agora, vai continuar a voar e, quando deres por ti, vais ser tu nesse lugar, a ver os teus rebentos finalistas e sentires-te velha. Na verdade, já te sentes, não é? Em maio eles já traçam a capa, TU já lhes traças a capa!
Então, de repente, és apoderada de uma nostalgia gigante, porque está tudo a acabar. Mas também és apoderada de um pânico enorme, por veres a quantidade de trabalho que já tens para o semestre, que te vai consumir imenso tempo, mas tu queres continuar a ser uma madrinha e uma afilhada presente, queres ter tempo para ir a festas e jantares, para tomar café e dar colo. E não sabes se vais ter tempo para tudo isso e para manter as tuas horas de sono em dia. Provavelmente, não. Aliás, com toda a certeza que não, mas ainda assim vais tentar, porque queres ser e estar. E, depois destas preocupações todas, vem o medo de não vires a ter nota para entrar no mestrado que queres, do trabalho que a tese implica e de não vires a ser uma boa profissional, medo atenuado pelo consolo dos padrinhos e o carinho dos afilhados, bem como do apoio da família, mas tens sempre medo, porque exiges muito de ti e queres ser a melhor possível em tudo o que fazes. De repente, dás por ti no último semestre da licenciatura. Daqui a meia dúzia de meses tens o curso acabado e sabes que vais sentir-te realizada, mas até lá estás perdida, assustada e atolada em trabalho, mas, no fim de contas, feliz.