sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Amor da minha vida inteirinha

    Os dias, quando te tenho por perto, são sempre leves e felizes; mas a cama parece fria e enorme nas noites em que não te tenho comigo. A casa fica vazia, mesmo com pessoas, porque a rotina contigo é simples e natural, como se a vivêssemos desde sempre e eu mal posso esperar pelo dia em que a vamos transformar na nossa rotina diária, sete dias por semana e doze meses por ano. Trazes-me uma paz que antes não sabia ser possível, muito menos que precisava, e uma estabilidade que nunca antes consegui ter. Consegues equilibrar-me e fazer-me manter os pés bem assentes na terra, mesmo que sonhemos muito. Não existe alguém que me faça sentir mais segura do que tu, nem que cuide de mim como tu; não há sorriso mais cúmplice do meu do que o teu e és, sem dúvida, a melhor companhia para as minhas madrugadas não dormidas. Contigo a vida é fácil, mesmo quando é difícil: os dias maus nem parecem assim tão maus, os problemas têm sempre solução, o meu mau humor matinal deixou de existir e passou a haver sempre um lado positivo para tudo. É por isso que a eternidade me parece pouco para tudo aquilo que temos para viver e que sei que serás a minha companheira de vida.
    Tenho mil planos para nós, mas sei que se a vida nos fintar e não correr como planeado (nunca corre, não é?), será igualmente incrível, desde que seja passada ao teu lado. Desse plano eu não abdico: o de dividir a cama e a vida contigo. Sonho acordada contigo e connosco, com um casamento, com uma família, com uma casa, com as viagens… com tudo aquilo que sabemos que queremos viver juntas. É que se a vida não correr como está planeado, damos um jeito de a fazer encarrilar de novo e alcançar as nossas metas juntas. Porque a verdade é essa: somos duas pessoas com sonhos e metas individuais, mas somos, também, uma junção de ambas e com metas em conjuntos. Somos um casal, somos uma equipa. A melhor que já vi, deixa-me que te diga. Completas-me. Não me anulas, não me tentas mudar, não esperas que eu encaixe nas tuas expectativas. Aceitas-me como sou e completas-me de uma maneira que tem tanto de inacreditável como de encantador. Inacreditável porque não sabia que era possível que esta ligação acontecesse com alguém, encantador porque a nossa ligação é linda e a nossa felicidade está à vista de todos aqueles que a queiram ver.
    És a minha história de amor à filme que nunca achei que fosse viver. És aquele amor que eu acreditava que só existia nos livros de romance que lia e que não teria a sorte de experienciar. Mas tive, porque, como o Projota diz, "a sorte um dia vem". E a minha sorte, a minha sorte grande, veio em forma de gente, na pessoa com a alma mais linda e o riso mais contagiante que alguma vez conheci. A minha sorte grande veio em forma de amor, o amor mais puro e genuíno que alguma vez senti. Amar-te é simples, porque és a alma gémea da minha e, quer queiramos quer não, estávamos destinadas uma à outra. Fosse agora ou depois, os nossos caminhos iam cruzar-se e, em alguma esquina desta vida, íamos esbarrar uma na outra e perceber que somos feitas para estar juntas. Tenho em ti mais do que alguma vez sonhei: a minha namorada e a minha melhor amiga. Serás sempre a minha maior confidente e a pessoa em quem confio de olhos fechados. E a vida, essa sacana matreira, que não se lembre de te tirar de mim, porque eu não me fico e dou luta. Por ti tudo, hoje e sempre, amor da minha vida inteirinha. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

12 anos a viver com a tua ausência

    Avô: 

    Todos os anos te escrevo e nunca sei como começar, há tanta coisa que te queria contar que nem sempre consigo ser coerente. Por isso é que as palavras nem sempre saem do papel, porém tu nunca ficas no esquecimento. Doze anos depois e continuo a achar que foste cedo demais, avô. Licenciei-me há dois anos e tu não estavas na bancada do estádio no dia da minha benção; também já não tinhas estado no primeiro dia que trajei ou no dia que festejei a entrada na licenciatura; não te pude ligar no dia que soube que tinha conseguido entrar no mestrado, ou no dia em que escolhi o tema da tese e consegui o que queria, ou no dia em que consegui vaga de estágio na minha primeira opção. Há doze anos que não te posso ligar e sei que, se ainda cá estivesses, não passarias um único dia sem falares comigo. Se ainda cá estivesses, saberias que comecei o estágio a semana passada e que estou quase a acabar o meu último mandato no núcleo de estudantes. Há tanta coisa que deverias saber, tanta coisa que eu gostava de te poder contar...
    Sabes, avô? Lidar com a tua ausência, nestes últimos doze anos, não tem sido fácil. A verdade é que o tempo não atenuou as saudades e a dor de não te ter por perto continua a ser a mesma. Porém, hoje posso dizer que sou feliz. Sou mesmo, avô, sabes porquê? Porque tenho uma miúda incrível ao meu lado e que faz de tudo para me fazer sorrir. Ias gostar dela. Ias adorar juntar-te a ela quando goza comigo, mas ias adorar, sobretudo, saber que podias dormir descansado todas as noites, porque estou segura com ela. É ela que me acalma quando a dor de não te ter me consome e as lágrimas me escorrem duas a duas pela cara. Porque a verdade é essa: doze anos depois, no dia 14 de outubro, eu volto a ser aquela menina de 13 anos a quem a mãe contou que perdeu o avô... para sempre. 
    Nos dias em que duvido de mim, lembro-me sempre de ti: sei que me dirias, independentemente de tudo, que estavas orgulhoso de mim. Serias, como sempre foste, o meu maior fã e o meu mais fiel confidente. Esta pandemia ia estar a consumir-te os nervos de preocupação comigo, sozinha pelo Algarve, e sei que ias passar os dias a ligar-me a perguntar pela máscara, pelo gel desinfetante e pela temperatura corporal ou qualquer outro sintoma. Eu ia rir de ti e tu ias reclamar comigo, mas no dia a seguir voltarias a ligar, sem falhar. Mas ias estar orgulhoso. Eu sei que ias e isso chega-me (mais ou menos). Acreditar que te orgulharias de mim ajuda a seguir em frente e continuar a conquistar metas, com a certeza de que toda e qualquer vitória minha, é tua também. Onde quer que eu vá, levo-te comigo; o que quer que eu seja, serei sempre um pouco de ti. Doze anos depois, continuo a viver com a tua ausência e a achar que foste cedo demais. E foste, mas eu levo-te sempre comigo.