Sou o tipo de pessoa que guarda as próprias dores no bolso, para ajudar a curar as dos amigos. Sempre fui, sempre serei. Não sei ser amiga de outra forma, não sei não me preocupar, não sei não cuidar. Vivo as amizades de forma intensa, sou tudo de mim e não peço muito em troca, apenas abraços apertados, gargalhadas estridentes e um ombro onde chorar. Sou esse tipo de amiga e orgulho-me de o ser.
Porém, com o passar do tempo, aprendi que deve haver um equilíbrio entre esse intenso dar e o amor próprio que me tenho, porque de tanto dar e pouco receber, acabo por desequilibrar e é importante não abdicar da paz de espírito que se sente quando há equilíbrio. Foi por isso que aprendi a estabelecer prioridades e a saber quando devo por os outros em primeiro lugar e quando devo ser eu a primeira da minha lista. É um processo que se aprende com o passar dos anos, à medida que se vai crescendo, uns mais depressa que outros. Não é nenhum conhecimento inato, com o qual nascemos e que dominamos a vida toda.
É por isso que me afasto de tudo aquilo que me desequilibra, para poder continuar em paz e conseguir ser a amiga que sempre fui. Sou péssima a perder pessoas e pior ainda em conseguir deixar de me preocupar com elas, mas também sei ver quando não valem mesmo a pena. É tudo uma questão de aprendizagem e de perceber que nos devemos focar naquilo que nos faz bem, estar com as pessoas que nos fazem felizes. E eu só sou feliz ao lado daqueles junto dos quais o meu riso é fácil, as lágrimas são escassas e as rugas de expressão são de levar com o sol na cara. Eu só sou feliz ao lado de quem é feliz comigo, ao lado de quem me compreende, de quem me apoia, de quem me ama. Eu só sou feliz ao lado de quem me abraça. Só sou feliz ao lados dos meus amigos.