quinta-feira, 13 de abril de 2017

Que espécie de amiga esperam que seja?

 Sou o tipo de pessoa que guarda as próprias dores no bolso, para ajudar a curar as dos amigos. Sempre fui, sempre serei. Não sei ser amiga de outra forma, não sei não me preocupar, não sei não cuidar. Vivo as amizades de forma intensa, sou tudo de mim e não peço muito em troca, apenas abraços apertados, gargalhadas estridentes e um ombro onde chorar. Sou esse tipo de amiga e orgulho-me de o ser.
 Porém, com o passar do tempo, aprendi que deve haver um equilíbrio entre esse intenso dar e o amor próprio que me tenho, porque de tanto dar e pouco receber, acabo por desequilibrar e é importante não abdicar da paz de espírito que se sente quando há equilíbrio. Foi por isso que aprendi a estabelecer prioridades e a saber quando devo por os outros em primeiro lugar e quando devo ser eu a primeira da minha lista. É um processo que se aprende com o passar dos anos, à medida que se vai crescendo, uns mais depressa que outros. Não é nenhum conhecimento inato, com o qual nascemos e que dominamos a vida toda.
 É por isso que me afasto de tudo aquilo que me desequilibra, para poder continuar em paz e conseguir ser a amiga que sempre fui. Sou péssima a perder pessoas e pior ainda em conseguir deixar de me preocupar com elas, mas também sei ver quando não valem mesmo a pena. É tudo uma questão de aprendizagem e de perceber que nos devemos focar naquilo que nos faz bem, estar com as pessoas que nos fazem felizes. E eu só sou feliz ao lado daqueles junto dos quais o meu riso é fácil, as lágrimas são escassas e as rugas de expressão são de levar com o sol na cara. Eu só sou feliz ao lado de quem é feliz comigo, ao lado de quem me compreende, de quem me apoia, de quem me ama. Eu só sou feliz ao lado de quem me abraça. Só sou feliz ao lados dos meus amigos. 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Sintomas de saudade.

 Hoje acordei mais mole do que o costume e as piadas contadas na rádio, durante o trajeto até à faculdade, não me fizeram rir. Hoje acordei impaciente e com pouco apetite. Hoje acordei sem vontade de sair da cama e com uma sensação de vazio enorme. Hoje acordei com saudades. Com saudades de tudo, mas de nada em específico. Talvez por andar mais cansada do que o devido, estou mais nostálgica, mas acordei toda feita num poço de saudades. Saudades de pessoas, de coisas, de músicas, de lugares... saudades! E demasiadas para uma pessoa só.
 Senti saudades do meu melhor amigo, da minha prima e até de pessoas que em tempo considerei amigos e que hoje em dia não sei nada deles. Senti saudades daquelas músicas que ouvia quando tinha 14 anos e me achava super na moda por as ouvir. Senti saudades de jogar basquetebol, do nervoso miudinho antes dos jogos, do cansaço depois de um treino e da sensação do toque do equipamento na pele. Senti saudades da praia, do sol de final de tarde, do cheiro da pele depois de um dia de verão, da animação das noites de verão e do sabor dos gelados, mas do sabor que têm no verão, durante o resto do ano sabem bem, mas não igual. Senti falta de tanta coisa, hoje, que me questionei como é que tanta saudade cabia dentro de um só peito.
 Mas a maior saudade que senti hoje foi a de escrever. De escrever o que quer que fosse, desde que fosse sentido por mim. Senti saudades de me sentar, isolada do mundo, a preencher linhas. A falta de tempo nem sempre me deixa escrever, aliás, quase nunca me deixa, porém eu sou um bichinho da escrita e preciso dela para me manter equilibrada. Há quem alinhe os chakras, há quem pratique yoga ou vá correr, há quem medite, há quem olhe para as estrelas ou enterre os pés na areia. Eu escrevo. Escrevo muito, escrevo tudo e escrevo sempre (ou sempre que posso!).