quarta-feira, 25 de março de 2015

Deixa-me ter um momento de cansaço.

O cansaço apoderou-se dela. Não é aquele tipo de cansaço que se sente depois de uma corrida de dez quilómetros, nem depois de um dia de aulas, nem depois de um acampamento. Não. É outro tipo de cansaço. Um cansaço que não a deixa dormir à noite, quando encosta a cabeça na almofada e tem um jorrilho de sonhos e pesadelos, que a fazem acordar mais exausta do que quando se deitou. Um cansaço que a faz perder horas, no sofá, apoderada pela inércia, a fazer zapping e a ver episódios repetidos das suas séries preferidas. Um cansaço que não a deixa sair à rua, ir à praia, apanhar ar e sentir o sol a queimar-lhe a cara, porque este cansaço consome-a, deixa-a sem vontade de se mexer para o que quer que seja. Um cansaço que a deixa irritadiça com qualquer coisa, ou com qualquer pessoa, fazendo-a gritar e barafustar e, quando a tempestade passa e a bonança chega, a faz sentir-se a pior pessoa do mundo. Este cansaço é diferente de todo o cansaço que já sentiu anteriormente. É um tipo de cansaço novo para ela, um tipo de cansaço que ela não consegue dominar, que ela não consegue entender. Nem ela, nem ninguém à volta dela. Essa é a pior parte.



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