segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Start over, each morning. Don't give up.

    E tu dás o litro. O litro e meio, até. Fazes tudo o que podes, em tudo o que podes, por quem podes. Mas, ainda assim, nunca chega. Por muito que te esforces, nunca chega a ser suficiente, porque todos vão estar à espera que faças mais. Mesmo que passes os dias inteiros fora de casa, sempre a correr para todo lado, quase a dividir-te ao meio para poderes dar atenção a todos os que a pedem, a fazer parecer que as 24h do dia passaram a ser 48h. Mesmo que mal durmas, para conseguires ter tudo em dia, para cumprir prazos e para não falhar com nada nem com ninguém. Mas, mesmo sabendo que não vai ser suficiente, tu continuas a dar o litro. O litro e meio se é preciso. E nem tens tempo para te queixar, porque para te queixares tens de deixar qualquer coisa por fazer. Então continuas, continuas até não aguentares os olhos abertos e só então é que desistes, só então é que te rendes ao sono e aceitas deitar a cabeça na almofada e descansar o corpo por umas horas, ainda que sejam insuficientes, porque o cansaço está acumulado há dias, às vezes até semanas. E nunca desistes porque aquilo que fazes te realiza, te faz sentir viva, te faz sentir útil ou importante, te faz sentir feliz. E nunca desistes porque nunca o soubeste fazer, nunca soubeste quando é permitido baixar os braços e assumir que estás cansada. Porque das poucas vezes que o fizeste, todo o mundo te caiu em cima por alguma qualquer falha que cometeste. É mais fácil criticar do que fazer melhor, por isso é que as críticas chegam de todos os lados, mas mãos prontas a ajudar são escassas as que chegam até ti. E tu dás o litro. O litro e meio, sem queixas.Fazes tudo o que podes, em tudo o que podes, por quem podes. Mas, ainda assim, nunca chega.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

my fav birthday boy

«sabes uma coisa? vai ser sempre assim, vamos ser sempre nós, vais ser sempre tu. por mais anos que passem, vais ser sempre tu a pessoa de quem vou precisar em todos os momentos. é para ti que vou sempre ligar a chorar, à 1h da manhã, porque alguém me partiu o coração. vai ser sempre a ti que vou querer contar todas as novidades da minha vida. vais ser sempre a melhor companhia das noitadas, por muito que não saibas dançar e me pises a noite toda. vais ser sempre aquele que mais facilmente me faz gargalhar. vais ser sempre tu a dar-me colo. vais ser sempre tu que me vais obrigar a sair de casa "só para ir um bocadinho ao chill" e me vais fazer chegar a casa às 3h da manhã. vais continuar a ser a pior pessoa para ligar, porque nunca atendes, mas eu vou continuar a tentar sempre. vais ser sempre tu quem se vai colar aqui em casa para comer panquecas, ver filmes e, já agora, para jantar também. vais ser sempre tu que vens ter comigo e adormeces na minha cama e nem deixas espaço para mim. vais continuar a ser o maior graxista para pedir boleias e vais continuar a consegui-las sempre. vamos continuar a ser duas crianças sempre que estivermos juntos. vais continuar a dizer que odeias fazer conchinha, mas vais acordar sempre agarrado a mim na manhã seguinte. vais ser sempre o único com quem caço caracóis nas dunas. vais ser sempre tu a minha metade, o meu grande amor, o meu irmão de outra mãe, o meu melhor amigo. e para tudo isso não há palavras suficientes no mundo que me permitam agradecer, mas obrigada por todos estes anos de amizade que temos partilhado e por todas as peripécias que vivemos lado a lado. obrigada, mais uma vez, por não desistires de mim e por nunca me deixares baixar os braços.
parabéns pelos 20 🎉 e que venham mais vinte para celebrar ao teu lado. nunca me deixes, amo-te muito ❣️#agorapensa»


sábado, 14 de outubro de 2017

9 years and couting

    Avô,

    Gostava que soubesses que a vida não voltou a ser a mesma depois de ti. Que, nove anos depois, ainda não aprendi a lidar com a tua ausência, ainda não sei o que fazer a esta saudade que me aperta o peito. Sinto a tua falta todos os dias, mesmo que raramente o diga. E eu sei que a mãe também, mas não dá parte fraca. Já ninguém me faz pargo no forno, ninguém me liga todos os dias a perguntar como estou e se já vi nas notícias o último perigo mortal escondido em não sei quê que uso todos os dias. Já não me ligas, já não cozinhas para mim, já não me fazes cafuné, já não te zangas comigo, já não vamos passear os dois. Já não estás. E há nove anos que assim é. 
    Gostava, também, que soubesses que já estou no segundo ano da licenciatura, que vou a festas, mas não falto às aulas no dia a seguir (quase nunca falto, vá), que as minhas notas são boas e que gosto mesmo daquilo que estou a fazer. Até já tenho uma ideia daquilo que quero fazer no mestrado. Sempre fui muito organizada com a escola, tu sabes que sim. Consegui comprar o traje, avô, e já tenho emblemas na capa. Não me esqueci de ti, tens um espacinho só teu e no qual eu tenho o maior orgulho! Obrigada por tudo o que fizeste por mim, enquanto pudeste. Fiz amigos, não te preocupes, estou bem entregue e eles dão-me casa quando há festas. Não ando sozinha na rua à noite, fica descansado, e também não conduzo a altas horas da madrugada. 
    Gostava que soubesses tanta coisa, que vinte e quatro horas não chegariam para te contar tudo aquilo que por aqui se tem passado, às voltas que a vida nos tem dado. Mas estou feliz, sou feliz aqui e, finalmente, sinto que pertenço a um lugar. Até já fiz o curso avançado dos Escoteiros! Sentes-te velho ao ver como cresci? Tenho vinte e dois, mas todos os anos, o catorze de outubro me faz sentir que tenho treze outra vez, sinto-me pequenina e consumida por saudades. E ao fim deste tempo todo, consigo perceber que nada disto vai passar e que vou continuar, sempre, a ser a menina que era no dia em que nos deixaste, que vou sentir umas saudades loucas de ti e que as lágrimas vão continuar a rolar, duas a duas, sem que a minha vontade as faça parar. Que por muito que eu queira, que peça, que suplique, o dia catorze de outubro não vai desaparecer do calendário e vai ser sempre o dia mais triste e feio do ano. Prometo que nunca te esqueço e que, se houver algo depois disto, nos vamos encontrar um dia.

A tua nêspera, 
Joana