Com um filtro de desilusão nos olhos, há coisas que consigo entender agora e tudo começa a fazer sentido. Por muito que me custe admitir, acho que o problema não foi acordar um dia e o sentimento já não estar lá; o problema foi o facto de nós já não sermos o mesmo que éramos no início. A relação que tínhamos deixou de existir e eu lutava por uma coisa que já tinha perdido há muito tempo. Podia continuar a tentar durante meses e a luta nunca seria suficiente, porque no fim de contas, estava agarrada a algo que já não tinha, estava agarrada a um fantasma. Qualquer esforço que eu fizesse, jamais seria suficiente. De que serve continuar a regar uma flor depois desta morrer?
Acho que ainda não tinha caído em mim, nem tinha parado para pensar sobre o assunto. Estou tão habituada a isto, que nem fui capaz de perceber que há algum tempo que já era assim: por muito que eu desse, já não era suficiente, já não era o mesmo. Acho que me podias ter dito antes, talvez tivesse percebido a tempo de me magoar menos, talvez tivesse ido a tempo de não fazer esforços sobrehumanos para salvar algo que já não tinha salvação. Quando se ama, há muita dificuldade em perceber que há algo a desaparecer, acha-se sempre que tudo são atos de amor, acredita-se sempre que se ama incondicionalmente. É bom viver nessa ilusão, o mundo é mais bonito e a vida mais fácil. É bom, acima de tudo, quando não é só uma ilusão, mas sim amor de verdade. Quando se ama não se vê o que está a correr mal, desvaloriza-se os dias menos bons e as atitudes mais distantes. Talvez tenha sido esse o meu problema. Quis sempre acreditar que eram fantasmas na minha cabeça e que tudo estava bem. Afinal, o meu sexto sentido não me falhou, mas fui eu que não lhe quis dar ouvidos.
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