Hoje em dia, ninguém tem tempo nem paciência para amar. Os relacionamentos começam já com um prazo de validade estipulado, porque dá demasiado trabalho manter a chama acesa ou porque não se gosta de discutir ou porque nas alturas festivas é preciso oferecer presentes. Hoje em dia, não se pensa numa vida a dois, porque isso implica abdicar do espaço pessoal, dos hábitos de solteiro. Olha-se para uma relação como se olha para uma prisão, com as suas regras, com as suas imposições e restrições. Não se vê mais além do básico, daquilo que todos são capazes de ver.
Nos dias que correm, pouca importância se dá às pequenas coisas. Já pouco se liga ao sorriso do outro quando nos vê chegar, às mensagens inesperadas, aos beijos à socapa, às conversas de madrugada. Nos dias que correm, conhecer alguém, de verdade, dá demasiado trabalho, os defeitos são demasiado chatos e as virtudes não os colmatam. Perdeu-se o gosto por conhecer hábitos, vícios e manias, por compreender, por observar. Vivem-se relações esporádicas e expresso, como que um fast food do amor, desprovido de sentimentos, porque quanto menos nos apegar-mos melhor. Já não se arrisca, já não se luta, já não se fazem declarações. Com uma sms resolve-se o assunto e, se não ficar resolvido, parte-se para outra.
Eu sou um problema nos dias de hoje, porque eu gosto de amar. Eu gosto de perder a noção das horas a conversa, a conhecer alguém, a dar-me a conhecer. Eu gosto de conhecer os tiques nervosos, as manhas, os hábitos. Eu gosto de olhar nos olhos, de falar com eles. Eu gosto de saber os defeitos de cor. Eu gosto de ligar quando sinto saudades, de ligar quando preciso de desabafar, de ligar por estar demasiado eufórica para conseguir dormir ou de ligar só porque sim, para ouvir aquela voz. Eu gosto de abraços apertados e de sentir o cheiro de alguém; e gosto quando esse cheiro fica na minha roupa. Eu gosto de fazer sorrir e gosto que me façam corar. Eu gosto de fazer alguém sentir-se especial, de ter sentimentos e de me apegar. Eu gosto de me declarar, mas talvez não sendo meu o primeiro passo. Eu gosto de ficar, gosto de amar.
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