Dei a minha rotina diária por garantida, como todos demos. As horas a que me levanto e tomo o pequeno-almoço, o sair de cada atrasada para as aulas, a mensagem para a amiga a dizer que já cheguei, as aulas que demoram a passar e as que passam a voar, os intervalos com as pessoas de quem mais gosto e até o ter de me cruzar com pessoas que preferia nem ver. Dei, como todos demos, por garantida a possibilidade de mandar uma mensagem à minha melhor amiga a dizer "Mc daqui a 20min?" ou a possibilidade de estar com ela todos os dias, de a poder abraçar e de podermos ir "só ali beber uma mini". Dei por garantidos, tal como todos demos, os jantares de curso ou as saídas à noite, as tardes passadas na sala de estudo ou na biblioteca a procrastinar, e aquelas em que realmente dávamos tudo para o trabalho ficar pronto para apresentar ou o resumo ficar acabado antes de ir para casa, as idas à praia para sentir a brisa do mar ou as idas à baixa para ver o sol a por-se. Dei por garantida a minha liberdade, todos demos, e hoje sinto-me presa.
Hoje é o meu 20º dia de quarentena (ou isolamento social, como preferirem) e eu sinto que o tempo demora a passar. As oscilações de humor começaram há uns dias e tudo se prende com o facto de, no mesmo espaço, ter de dormir, socializar e estudar/trabalhar. Tornei-me pouco produtiva e tenho dificuldade em concentrar-me, mas aquilo que me consome realmente é o facto de me sentir privada, como todos, da minha liberdade. Da minha liberdade de ir só ali, da minha liberdade de sair de casa para as aulas, da minha liberdade de estar com os meus e de poder combinar coisas todos os dias, da minha liberdade, acima de tudo, de estar com a minha melhor amiga, que, de todas as pessoas (e desculpem-me ferir suscetibilidades), é a pessoa que mais falta me faz no meu dia a dia (não é à toa que é a minha melhor amiga, não é?). É ela que me mantém em equilíbrio, que me acalma quando me salta a tampa ou que me puxa para cima quando me sinto a afundar. E eu preciso dela por perto.
Nestes 20 dias já: lavei a roupa toda do cesto, limpei a casa a fundo, lavei as janelas da casa, passei a ferro a pilha de roupa que chegava ao teto, assisti a aulas online, fiz uma frequência à distância, adiantei trabalhos, vesti-me e maquilhei-me para ficar em casa, reli as minhas fitas de finalistas, pus as minhas séries em dia, vi filmes, tentei pôr a leitura em dia e, sobretudo, fintei as saudades. Fintei as saudades com chamadas, com videoconferências, com aplicações inovadoras para manter as pessoas em contacto e com fotos com filtros engraçados. Fintei as saudades, mas são essas mesmas saudades que me consomem diariamente. Numa altura em que a motivação começa a escassear e começo a sentir-me mais murchinha, as saudades levam a melhor e deixam-me de lágrimas nos olhos. Porque dei a minha rotina diária por garantida, como todos demos, e achei que a minha liberdade nunca me seria retirada assim. Dei tudo por garantido, como todos temos, e hoje sou toda feita de saudades.
Hoje é o meu 20º dia de quarentena (ou isolamento social, como preferirem) e eu sinto que o tempo demora a passar. As oscilações de humor começaram há uns dias e tudo se prende com o facto de, no mesmo espaço, ter de dormir, socializar e estudar/trabalhar. Tornei-me pouco produtiva e tenho dificuldade em concentrar-me, mas aquilo que me consome realmente é o facto de me sentir privada, como todos, da minha liberdade. Da minha liberdade de ir só ali, da minha liberdade de sair de casa para as aulas, da minha liberdade de estar com os meus e de poder combinar coisas todos os dias, da minha liberdade, acima de tudo, de estar com a minha melhor amiga, que, de todas as pessoas (e desculpem-me ferir suscetibilidades), é a pessoa que mais falta me faz no meu dia a dia (não é à toa que é a minha melhor amiga, não é?). É ela que me mantém em equilíbrio, que me acalma quando me salta a tampa ou que me puxa para cima quando me sinto a afundar. E eu preciso dela por perto.
Nestes 20 dias já: lavei a roupa toda do cesto, limpei a casa a fundo, lavei as janelas da casa, passei a ferro a pilha de roupa que chegava ao teto, assisti a aulas online, fiz uma frequência à distância, adiantei trabalhos, vesti-me e maquilhei-me para ficar em casa, reli as minhas fitas de finalistas, pus as minhas séries em dia, vi filmes, tentei pôr a leitura em dia e, sobretudo, fintei as saudades. Fintei as saudades com chamadas, com videoconferências, com aplicações inovadoras para manter as pessoas em contacto e com fotos com filtros engraçados. Fintei as saudades, mas são essas mesmas saudades que me consomem diariamente. Numa altura em que a motivação começa a escassear e começo a sentir-me mais murchinha, as saudades levam a melhor e deixam-me de lágrimas nos olhos. Porque dei a minha rotina diária por garantida, como todos demos, e achei que a minha liberdade nunca me seria retirada assim. Dei tudo por garantido, como todos temos, e hoje sou toda feita de saudades.
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