domingo, 22 de abril de 2018

É amor que chama?


    Ao longo da vida conheci vários tipos de amor e todos eles me completaram um pouquinho mais. O primeiro amor que conheci, foi o amor dos meus pais. Não há amor mais seguro que esse. Eles são o meu porto seguro, o colo para o qual posso voltar a sempre que tudo correr mal, os braços que me farão sentir protegida de tudo, mesmo com um mundo a desabar sobre nós. A este amor assemelha-se o amor de irmã, que conheci há catorze anos, quando nasceu aquele serzinho maravilhoso que dorme no quarto ao lado do meu. Arriscaria a dizer que é o amor mais cúmplice de todos, aquele que me vai acompanhar até ao fim dos meus dias em aventuras e peripécias, com quem vou partilhar bons e maus momentos, com quem vou trocar risos e gritos para sempre (um dia, eventualmente, mais dos primeiros do que dos segundos).
    O amor dos amigos também foi sempre um amor muito relevante ao longo destes curtos vinte e dois anos de vida. Sempre foi, sempre será. É o amor que mais felicidade nos traz. O amor que tenho pelos meus amigos faz-me sentir completa e realizada, o amor que eles me dão preenche-me e dá-me asas para voar, para arriscar, para sair da minha zona de conforto, sabendo que por mais voltas que a vida dê, haverá sempre uma mão estendida para me ajudar a levantar, um ombro onde chorar, um colo onde descansar e um ouvido para desabafar. Este é o tipo de amor que me faz acreditar no para sempre, que me faz pensar que afinal há mesmo pessoas que vêm para ficar e que nunca ficarei sozinha, porque mesmo velhinha terei alguém com quem rir à gargalhada, a pensar em todas as maluqueiras que já vivemos juntos.
    O amor do nosso animal de estimação também é uma forma de amor. É o amor mais fiel que teremos na vida, porque não importa se tratamos bem ou mal o nosso bichinho, se lhe damos a sua comida preferida ou se nos esquecemos de lhe deixar água, se passamos o dia com ele no sofá ou se estamos fora de casa todo o dia, ele vai amar-nos sempre, com a mesma intensidade, todos os dias. E sem nunca pedir nada em troca.
    Durante a adolescência conheci aquele tipo de amor que toda a gente fala. Nem sempre foi correspondido e, umas vezes, deu-me borboletas na barriga e, outras, dores no coração. É o tipo de amor que nos faz sentir nas nuvens quando tudo corre bem, o tipo de amor que nos faz deitar todos os sonhos por terra quando tudo corre mal. Aprender a relativizar as coisas é um processo que leva tempo e, aos vinte e dois anos, ainda não sei fazer isso com muito sucesso, mas tento. Tento que as expectativas não sejam muito altas, tento que a cabeça ande na lua, mas que os pés estejam sempre bem assentes na terra e tento, acima de tudo, que o amor que tenho pela outra pessoa não me tire o amor que tenho por mim.
    E isso lembra-me do melhor amor que já experienciei: o amor próprio! Ninguém nos pode amar mais do que nós mesmos. Gostarmos daquilo que somos, de como nos sentimos, do reflexo que vemos no espelho é essencial para podermos amar todos aqueles que temos à nossa volta, para podermos experienciar, de forma equilibrada todas as formas de amor que antes falei. Não é nada fácil, devo admitir. É um processo continuo, que muitas vezes leva demasiado tempo até dar resultado e que é consequência de uma constante tentativa e erro, mas é imensamente gratificante quando é conseguido. A nossa essência fica renovada por completo, a nossa vontade de viver e de comer o mundo é gigante e acordamos felizes, todos os dias, só pelo facto de estarmos aqui e podermos continuar a viver os nossos dias. E devemos vivê-los como queremos, porque a vida já provou inúmeras vezes que o tempo que nos dá é curto demais para não fazermos aquilo que desejamos.

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