sexta-feira, 30 de março de 2018

Não digo a ninguém, mas tenho medo.

    Hoje, sete anos depois, ainda não sei dizer se superei ou se continua a afetar-me. Numa altura em que passam sete anos da fase mais assustadora da minha vida e, provavelmente, a pior e a que mais me mudou, ponho em perspetiva tudo aquilo que vivi e pergunto-me onde arranjei coragem para seguir com a minha vida em frente. Não tenho problemas em admitir que aconteceu e em contar a minha história, porque não fiz nada de errado, nem pedi para acontecer. Essas coisas não se escolhem.
    Foi uma fase que me mudou e que deixou sequelas. Não voltei a olhar para as pessoas da mesma maneira, nunca mais confiei cegamente em alguém, fiquei sempre com um pé atrás relativamente a qualquer um que decidisse aproximar-se. A minha auto-estima não voltou a ser a mesma, perdi totalmente a confiança em mim e em tudo aquilo que faço, acho sempre que não sou boa o suficiente e que os meus esforços nunca chegam. E não ajuda o facto de as pessoas não terem sido boas comigo ao longo dos anos, não ajuda terem-me virado as costas e terem-me deixado, sobretudo quando mais precisei. Mas tudo isso me fez crescer, tudo isso fez de mim a pessoa que sou hoje.
    Nessa altura tive de crescer, muito e muito rápido, cresci aquilo que não cresci em mais fase nenhuma. Tive medo, tive medo como nunca antes tinha tido. Perdi a motivação e a alegria, perdi o apetite e dez quilos. Perdi-me a mim mesma. Deixei de me reconhecer quando me via ao espelho, deixei de sair à rua e deixei de falar com os meus amigos. E tive medo de novo, tanto medo. Ainda hoje tenho. Tenho medo de me perder novamente, de perder as minhas pessoas e de perder a coragem, mesmo continuando sem saber de onde a tiro todos os dias. Tenho medo de me cruzar com aquele tipo de pessoas de novo, de confiar em alguém que use tudo o que sabe para me atacar e me deitar abaixo, tenho medo de confiar, tenho medo de me desiludir. Tenho medo de não ter a força que me dizem que tenho, de não ser capaz de alcançar os meus objetivos, de não saber controlar a minha ansiedade. E há dias, como hoje, em que o medo toma conta de mim, embora eu tente fintá-lo. Mas não dou parte fraca. Não digo a ninguém. Guardo para mim e juro a mim mesma que, um dia, me esqueço de tudo isto, que um dia vou acreditar em mim mesma, que me me vou sentir capaz de comer o mundo. Um dia, mas hoje não.

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