Queria que este verão fosse inesquecível e consegui, só não vai ser pelas razões que eu esperava. A ideia era ter passado o verão com os meus amigos: muita praia, muito sol, muitas festas e, acima de tudo, muitos risos. Mas não foi bem assim que aconteceu. A verdade é que a distância veio pôr termo a um sem fim de planos a dois que tínhamos para estes três meses. Se o azar ficasse por aí, a coisa até nem estava muito má. Acontece que o meu horário de trabalho não me favorece as férias, em nada mesmo! Corta-me o dia a meio, o que faz com que não o possa aproveitar bem antes de ir trabalhar nem depois de sair do trabalho. Este ano mal pus os pés na praia ou na piscina, quem se cruzar comigo na rua não acredita que passei o verão todo no Algarve! Para além disso, os horários de trabalho dos meus amigos são incompatíveis com os meus, o que faz com que esteja pouquíssimas vezes com eles e sinta umas saudades terríveis. E, para completar esta maré de azar de verão, o tempo também não esteve favorável durante todas as férias. O calor começou a chegar em grande só há dois ou três dias, o que dá uma enorme vontade de dizer: "Olha, S. Pedro, obrigadinha!".
Com tudo isto, voltaram as noites mal dormidas, os sonos agitados e os pesadelos estúpidos. Era suposto sentir-me melhor depois das férias, mas sinto-me apenas a precisar de férias a sério, o cansaço aumenta de dia para dia. O verão cansou-me física, porque o trabalho é exigente, e psicologicamente, porque a distância das pessoas que preciso perto de mim também me tem vindo a desgastar. Cada vez que algo me chateia, um jorrilho incontrolável de palavrões sai-me boca fora, não é por mal, é porque o cansaço fala mais alto do que eu. Sinto-me a atingir a linha que separa o cansaço da exaustão e isso não é, de todo, uma boa notícia.
Não estou com todo este discurso negativo a dizer que tive o pior verão da minha vida (esteve lá perto, mas não foi o pior) porque teve bastantes coisas boas: li imenso, fiz grandes noitadas com os amigos, aproveitei as poucas vezes que tive tempo para me deitar ao sol, fui ao concerto dos Xutos e Pontapés, jantei fora e mimei-me com algumas peças de roupa novas. Repito: não estou a dizer que foi o pior verão que já vivi, até porque ele está a chegar ao fim mas ainda não acabou, estou apenas a dizer que não quero ter outro igual, quero melhor, quero poder aproveitar o próximo verão como deve de ser.
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